CAP. 5 - Tudo o que preciso Gyn e Gigolô Gostoso

( POV/ SKY))

Acenei e fiquei ali, observando aquele mar de testosterona e suor. No fundo, eu torcia para que estourasse uma briga generalizada; seria reconfortante ver alguém saindo com a cara quebrada além de mim.

— Amiga! — O Alex surgiu do nada, com um sorriso que ocupava o rosto inteiro. — Você tinha que ver! A Sofia desabou no chão da igreja, parecia uma poça de luto falsa, uma poça de pêssego estragado! E o Paulo Gouveia? A veia do pescoço dele parecia uma mangueira de jardim prestes a estourar! O vídeo rodou três vezes. O padre chorou, Sky! Foi o caos mais lindo da história de Porto Alegre!

Soltei uma risada que virou uma tosse seca, queimando meus pulmões. O Alex já estava com o celular na minha cara, os dedos voando na tela para me mostrar os frames da destruição.

— Que lugar animado, hein? Quanta testosterona concentrada — comentou ele, fazendo um varredura visual no salão.

— Eu também pensei que encontraria só coroas desesperadas e música do Barry White aqui — resmunguei.

— GOOOOL! — Gritaram de novo. Merda de jogo. Tinha que ser logo no dia em que a minha vida decidiu virar um roteiro de tragédia grega pichada.

— Vai, amiga, escolhe um — o Alex disse, apontando com o queixo para os homens que circulavam.

— Eu não. Nem pensar.

— Você precisa se distrair. Beba essa garrafa e eu aposto que vai até esquecer esse ranço que você tem de toques humanos.

Eu não sou fã de toques. Minha experiência com homens era quase nula; beijei dois caras na vida e precisei de seis meses de conversa para deixar o Victor encostar em algumas partes do meu corpo. A ideia de um estranho me tocando sem esse "projeto aprovado" me dava calafrios.

— Não tenho dinheiro para isso, mesmo se eu achasse alguém que não parecesse um figurante de filme pornô dos anos 80 — murmurei.

Tinha um loiro de cowboy que era bonito, mas exalava vulgaridade. Outro vestido de policial gato, e um que... meu Deus o de faxineiro com babadinhos. Eu não conseguiria olhar para ele sem ter uma convulsão de riso. Do outro lado, alguns "boys" atendiam coroas que seguravam bolsas que valiam mais que o meu closet inteiro.

— E aí, já se decidiu? — Alex insistiu.

— Não. Mas será que não tem um catálogo com especificações técnicas? — perguntei e virei metade da garrafa, engasgando-se logo em seguida. — E eu vou pagar como? Não tenho dinheiro.

— Escuta, Sky — o Alex ficou sério, apoiando-se no balcão. — O Gouveia me paga muito para aguentar os caprichos daquele mauricinho. Eu guardei dinheiro para uma emergência. E isso aqui é uma emergência nível global. Faz igual ele fez com a Sofia. Transa com alguém. Sexo casual, sem contrato, sem planta baixa, sem nada.

Eu ri, imaginando a cena. Dei mais um gole. O álcool estava começando a deixar as bordas do mundo mais suaves.

— Amigo, eu não sei fazer isso. Nem sei por onde começar. Eu mal sei dar "oi" sem gaguejar para um cara normal, imagina para um profissional do prazer.

— É simples: abre as pernas e pronto. O resto o cara resolve, ele é pago para isso.

Meu celular apitou. Uma notificação de transferência: R$ 7.000,00. Arregalei os olhos, quase perdendo o foco da tela.

— Alex... você enlouqueceu? Sete mil reais?

— Considera o seu presente de des-casamento.

— O quê?! Eu não posso aceitar isso!

— É o preço da sua liberdade, Sky. Agora enterra esse passado de noiva traída e abre as pernas para alguém se enterrar em você. É terapêutico.

Ele deu um tapinha no meu braço e sorriu genuinamente. Ele era um idiota, mas era o meu idiota preferido. Olhei para a garrafa, depois para o salão, onde o "policial" deu uma piscadela para mim. Talvez o Alex tivesse razão. Talvez eu devesse apenas ser a pessoa que eu nunca tive coragem de ser: alguém que não precisa de uma conexão profunda para sentir um pouco de prazer.

Eu estava debruçada no balcão, sentindo o vinho branco começar a anestesiar a queimação da ressaca e as dores de cabeça. Estava apenas esperando o álcool criar um fundo falso na minha coragem para abordar um daqueles "profissionais do sexo", enquanto o Alex bebericava uma marguerita com azeitonas e jogava conversa fora com o barman.

— Arthur, desce mais oito Brahma Duplo Malte, uma garrafa de Bourbon e um Gin com limão.

Uma voz grave e macia surgiu logo atrás de mim, reverberando na minha nuca e disparando um arrepio pela espinha. Virei o pescoço devagar para encarar o dono daquela voz.

Ele era alto. Desesperadamente alto. Tinha cabelos pretos desalinhados, lábios carnudos e dentes que refletiram sob o neon rosa. Mas foram os olhos que travaram meu cérebro: verdes, num tom de esmeralda lapidada, emoldurados por cílios grossos e sobrancelhas pretas desenhadas à mão.

Ele vestia uma camiseta social com os primeiros botões abertos e exibia braços musculosos e uma calça de alfaiataria escura. Não entendi do que ele estava fantasiado, mas o conjunto funcionava perfeitamente. O cheiro dele me atingiu em cheio: Malbec, algo amadeirado, caro e absurdamente masculino.

Ele se aproximou, ocupando o espaço minúsculo entre o meu banco e o do Alex para alcançar a bandeja que o bartender montava.

— Com licença — ele disse, a voz vibrando novamente perto do meu ouvido.

Me ajeitei no banco, girando o corpo para conseguir encará-lo de frente. O rosto dele parou a poucos centímetros do meu.

— Uau — soltei sem querer, e sem qualquer filtro de dignidade.

Os olhos verdes dele estacionaram nos meus. Ele me olhou fixamente, fazendo um "scan" completo de mim.

— Uau digo eu — ele respondeu, com um meio sorriso sarcástico que fez meu estômago dar um solavanco. — Tá tendo alguma convenção de terror ou festa à fantasia que eu não fui convidado?

— Você... frequenta esse tipo de lugar? — perguntei, tentando recompor os restos do meu juízo.

— Depende da companhia — ele respondeu, mantendo aquele sorriso que, com certeza, era a ferramenta de trabalho número um dele.

— Por diversão ou trabalho? — arrisquei, com o tom de quem está avaliando um imóvel.

— Estou sempre trabalhando, noivinha.

— Anda logo que vai esquentar! — um dos homens gritou lá da frente da TV. — Vai para os pênaltis agora!

Ele deu uma risada curta e olhou para o Alex, cumprimentando-o com um aceno de cabeça rápido. Depois, voltou as esmeraldas para mim por mais um segundo antes de equilibrar a bandeja.

— Cuidado para não ser exorcizada por aí.

Ele girou nos calcanhares e começou a caminhar de volta para a mesa dos clientes. Eu não consegui evitar: virei o pescoço, acompanhando cada movimento, e meus olhos grudaram com a força de um ímã nas costas e no que vinha abaixo delas.

— Nossa... que par de bunda — comentei, baixinho, mas o Alex ouviu e se engasgou com a marguerita, rindo tanto que precisou se apoiar no balcão para não cair.

— Sky! Pelo amor de Deus, amiga! O cara é um deus grego, tem olhos de cinema e a primeira coisa que você avalia é o patrimônio traseiro?

— Prioridades, Alex. Olhos não carregam ninguém no colo, mas aquele par de glúteos e aquele conjunto perfeito de ombros largos e braços fortes... — respondi, vendo-o servir a mesa de playboys lá no fundo.

— Acho que o seu presente de des-casamento já encontrou um destino. E o destino tem um acabamento de luxo. — Alex brincou, dando mais um gole na sua bebida.

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