— Coma logo, mana! — Leonardo disse.Isabela ficou sem palavras.Ela olhou para Leonardo, achando que talvez ele estivesse meio de birra.Caso contrário, por que teria pedido tanta comida só para duas pessoas?Ele já tinha começado a comer. Quando levantou a cabeça e viu que Isabela ainda não tinha pegado o garfo, perguntou:— Você não está com fome?Isabela reparou no canto da boca dele se mexendo enquanto comia. Parecia mesmo faminto, não estaria devorando tudo daquele jeito se não estivesse. Então respondeu:— Estou sim.Pegou o garfo e começou a comer também.Depois da refeição, os dois voltaram juntos.Leonardo a acompanhou até a entrada do condomínio.— Você mora aqui?— Sim, mas vou me mudar logo. — Isabela respondeu.— Por quê? Aqui é perto do escritório, super prático para você ir trabalhar. Por que mudar? — Perguntou ele.— Esse apartamento é alugado. Meu apartamento já ficou pronto depois da reforma, então vou me mudar. — Explicou ela.— Quando for se mudar, me chame. Te dou
Isabela olhou para a mulher com uma expressão fria.— Por favor, cuidado suas palavras. Aqui é um hospital, não dá para gritar desse jeito. Fazer escândalo aqui não vai te ajudar em nada.— Ah é? E o que você vai fazer comigo? — A mulher encarou Isabela com raiva.— Eu? Nada. Mas se você continuar fazendo escândalo aqui, a justiça pode fazer alguma coisa — Respondeu Isabela, firme.A mulher bufou, ainda contrariada, mas diminuiu um pouco o tom.— Você está me ameaçando agora?— Não é ameaça. Só estou te lembrando como uma pessoa decente deveria se comportar. — Isabela foi direta. — E você, como mãe, já parou para pensar se algum dia assumiu de verdade o papel de mãe? Se tivesse dado um pouco mais de amor para sua filha, ela não estaria nessa situação hoje.— Você... — A mulher ficou sem resposta, engasgada de raiva. — Eu não acredito que vocês tenham alguma prova para me acusar.Na cabeça dela, ela não tinha cometido nenhum crime grave. O pior que tinha feito era ter abandonado a filha
A garota murmurou um "ok" suave e se cobriu com o edredom.Isabela a observou em silêncio por alguns segundos, depois se virou e saiu do quarto do hospital sem dizer nada. Ela fechou a porta com cuidado.Ao sair do hospital, Leonardo já estava com o carro parado na entrada. Isabela abriu a porta e entrou.— E aí, mana, estou mandando bem como seu motorista? — Perguntou ele, todo orgulhoso.— Tá sim. — Respondeu Isabela.Leonardo sorriu satisfeito....O tempo passou como um raio, e num piscar de olhos, a garota estava de volta ao tribunal.Daquela vez, ela parecia bem mais forte do que da última vez.Talvez fosse porque já tinha passado por aquilo antes, então não estava tão nervosa quanto na primeira audiência.Ou talvez fosse a presença de Isabela ao seu lado, que trazia uma pontinha de segurança.Enquanto organizava os documentos, Isabela teve a sensação de estar sendo observada. Ao levantar os olhos, viu Sandro sentado na bancada da defesa, naquele momento atuando como advogado do
A indiferença e a distância de Isabela o deixaram perdido.Arrependimento e dor apertavam o peito do Sandro.Ele olhou para Isabela e tentou argumentar. Ele só queria que Isabela respondesse a ele, e não o ignorasse completamente.— O lado da acusação, quando tinha quatro anos, passou a viver com minha cliente. Até hoje, todo o processo de seu crescimento, incluindo a escola, hospital e todas as despesas, foram pagas pela mãe dela. Se for calcular, o total é uma quantia considerável. Através dos meus cálculos, ela já gastou entre trezentos a quatrocentos mil. Além disso, minha cliente, como mãe, também foi responsável pela administração da casa enquanto a filha ainda era pequena, o que é completamente normal...— Por favor, veja os documentos com atenção. O acordo de divórcio dela com o ex-marido deixa claro que, o imóvel deveria ser devolvido quando minha cliente atingisse a maioridade. Mas ela devolveu? Não, ela usou a filha dela, minha cliente, como uma desculpa para manipular ela m
Naquele dia, quando Isabela Lopes foi levada ao tribunal pelo próprio marido, Sandro Marques, uma nevasca intensa tomava conta da cidade.Ela ainda se lembrava de como acreditava em seu amor. Durante sete anos, desde que se apaixonaram até o casamento, sempre teve certeza de que ele amava ela e que viviam um casamento feliz.Tudo mudou, porém, quando ele entregou ela às autoridades, sem hesitar, por causa de uma palavra dita por Milena.O juiz começou a leitura do caso de Isabela, acusada de porte de substâncias proibidas.— No dia 23 deste mês, durante uma blitz na Rua Oeste, agentes encontraram substâncias ilícitas no veículo conduzido pela Sra. Isabela. — Declarou o juiz. — Esta audiência é para examinar os detalhes da acusação. Solicito que o autor leia suas alegações.Sandro se levantou, o corpo alto e imponente vestido com um terno preto impecável, que só aumentava seu ar sério e afiado. Seus olhos, que um dia transbordavam de amor por sua esposa, agora mostravam apenas desaponta
Isabela se virou para olhar Sandro. Era curioso como palavras tão decisivas agora pareciam deslizar com facilidade.Sandro, com uma expressão gélida, retrucou sem titubear:— Não vou me divorciar de você. Você sabe disso muito bem.— Você é advogado, deveria entender o que está em jogo. Se eu for condenada, vou parar na cadeia...— Com as provas contra você, Isabela, não posso fazer nada além de seguir o que a lei manda...— Não, Sandro. Não é sobre provas. É sobre você acreditar na Milena e não em mim.Isabela sentia cada palavra pesando no ar. Era mais do que simplesmente uma questão de confiança: ele estava disposto a vê-la presa para defender Milena.Ele baixou os olhos e, evitando a intensidade do olhar dela, depois caminhou para as escadas, sem oferecer qualquer explicação:— Vamos para casa.Isabela ajustou o casaco grosso ao corpo e seguiu até o carro. Aquele dia estava frio e o vento cortava o rosto dela como pequenas lâminas geladas. Ela entrou no carro e o silêncio entre ele
Na cozinha, não havia sinal dela, nada do costumeiro movimento enquanto ela preparava o jantar. No quarto, o vazio reinava. A casa parecia outra sem a presença dela. Ele pegou o celular, já impaciente para ligar e perguntar onde ela estava, mas foi surpreendido ao ver a tela cheia de notificações de gastos no cartão. Como estava incomodado com as ligações constantes, havia deixado o celular no silencioso, sem imaginar que as notificações de consumo o tomariam de surpresa.A tela do celular estava cheia de registros de gastos, e ele não pôde deixar de franzir a testa.Ele tentou ligar para Isabela, mas ninguém atendeu. Sentiu um vazio incômodo crescendo dentro dele e puxou a gola da camisa para aliviar o desconforto, como se o ar tivesse ficado mais pesado. Em vez de se perder na angústia, foi ao escritório, buscando se distrair com trabalho, uma tentativa de colocar a cabeça no lugar. No entanto, o que ele encontrou sobre a mesa paralisou ele: o acordo de divórcio. Ao lado, a aliança q
— Sou eu, sim. — Disse Isabela, com um leve aceno de cabeça.— Este é um envio urgente para a senhora. — Respondeu o entregador, estendendo-lhe uma prancheta. — Pode assinar aqui, por favor?Isabela pegou a prancheta, assinou rapidamente e a devolveu ao rapaz. Em troca, ele lhe passou um envelope grosso, de papel pardo, que ela recebeu com uma expressão enigmática. Assim que fechou a porta, respirou fundo e rasgou o lacre com um pouco de pressa. Ao abrir, seus olhos pousaram sobre o documento que não imaginava receber tão cedo: o acordo de divórcio assinado por Sandro.Seus olhos brilharam com uma expressão de leve surpresa e satisfação ao ver a assinatura dele ali, estampada de maneira firme. Colocou o envelope ao lado e abriu o notebook na mesa. Ao observar tudo aquilo, ela constatou que o acordo de divisão de bens havia sido aceito. Isso significava que Sandro não tinha objeções em relação aos termos que ela havia estabelecido.Com a decisão dele em mãos, Isabela começou a organizar