O amanhecer em Brentmore veio cinzento, abafado, como se até o sol hesitasse em tocar a cidade. Elara despertou sem saber se realmente havia dormido. A cabeça latejava, os olhos ardiam, e por um momento ela ficou ali, deitada na cama do hotel, encarando o teto como quem busca uma resposta que não vem.
As imagens da véspera voltaram com uma clareza cruel:
Adrian, o bebê, a mulher sorridente.
O beijo.
A vida inteira dela desmoronando diante dos próprios olhos.
Ela virou o rosto no travesseiro, tentando conter o nó que voltava à garganta.
Era como se cada lembrança queimasse — não apenas por ter sido traída, mas por ter acreditado tanto, cegamente, em algo que nunca existiu.
Um som discreto ecoou na porta.
— Senhorita Sterling? — era a voz de Lucas, o assistente de Damian. — O senhor pediu que eu verificasse se está tudo bem e se deseja tomar café.
Ela respirou fundo, recompondo o tom.
— Estou bem. Diga ao senhor Blackwell que estarei pronta em vinte minutos.
O silêncio do corr