ELENA SOFIA BIANCHI
O que me despertou foi o silêncio.
Não o silêncio do apartamento, que já se tornara quase palpável desde que eu atravessei aquela porta pela primeira vez. Esse eu já começava a me familiarizar. Era um silêncio denso, opressivo, elaborado, repleto de superfícies impecáveis e normas invisíveis. O que realmente me acordou naquela manhã foi algo distinto. Um vazio mais penetrante, mais inquietante. Como se alguém houvesse eliminado o ar das paredes.
Abri os olhos lentamente, ain