POV Kael
O corredor principal da mansão era silencioso demais. Aquele tipo de silêncio que não traz paz — pelo contrário, apertava o peito como um aviso. Cada passo ecoava alto, e a madeira sob nossos pés rangia como se protestasse por ainda carregar tanta dor.
Passamos por tapeçarias rasgadas, retratos tortos nas paredes e portas que se entreabriam com o vento gélido que soprava por frestas invisíveis. O tempo ali parecia ter parado — ou sido amaldiçoado. Então, paramos diante de uma porta diferente. Carvalho escuro, pesada, entalhada com símbolos antigos de proteção e poder.
— Deve ser aqui — murmurei, passando os dedos pela maçaneta. Estava destrancada.
Empurrei devagar, sentindo a resistência do tempo e da mágoa acumulada naquele lugar.
O escritório de Endrick era uma cápsula do passado. Estantes abarrotadas de livros cobertos de poeira, mapas antigos colados às paredes e uma escrivaninha robusta no centro, cercada por cadeiras de couro rachadas pelo tempo. As janelas estavam sela