Clara
Mordi o lábio inferior, sentindo o gosto metálico de ansiedade. Era como se todo o meu corpo estivesse prestes a implodir — um turbilhão silencioso que rodava, rodava, até eu perder o chão. Meus olhos ardiam, e eu sabia que ele estava vendo. Theo sempre via. Vinha com aquele olhar dele, firme, profundo, que me despia mais do que qualquer toque.
— Não é só loucura, Theo… — murmurei, sentindo a garganta apertar. Minha voz saiu fina, trêmula, como um fio tenso preso entre nós. — Mas isso me