● Aneliese Moore ●
— Ecaaaaaa.
É quase um ritual. O trio da indignação infantil.
Viro-me devagar, teatral, apenas o suficiente para que eles vejam perfeitamente minha língua sendo exibida com toda dignidade possível. Em resposta, recebo três caretas sincronizadas, a personificação viva do “não acredito que adultos se beijam por livre e espontânea vontade”.
Estou prestes a abrir a porta e sair quando algo sagrado me atravessa a mente — a memória do atentado com tinta no shampoo. Eu paro. Volto.