Ilha

Despeitei quase me afogando, não conseguia respirar sem engasgar. Sentia imersa pela água do mar, batia violentamente à minha volta, subindo pelo meu nariz, ouvido e agora dentro dos meus olhos.

Logo as memórias voltaram como flash e me peguei chorando, sangrando e gritando. Tentei me segurar em algo que estava atrás de mim me mantendo quase fora da água.  Um pedaço do avião e o colete não me deixaram afundar totalmente. Senti minha mão tocar algo e consegui me virar e subir mais sobre a prancha improvisada.  As ondas estavam tão altas que fiquei com medo de me afogar de vez, fora se aparecer tubarão ou água viva, arraias; então  Levantei meu rosto.

— Ai, meu Deus. Falei pra mim mesma. Fechei meus olhos em prece e comecei a sentir todos Os movimentos e sons ao meu redor, o pânico era grande, mas não ia adiantar de nada agora. A correnteza começou me levar, uma lua minguante no céu tirava um pouco da penumbra.  Senti minha mala e agarrei-a com desespero saindo um pouco de cima da superfície, mas voltei imediatamente, eu não sobreviverei sem isso. Continuei sendo levada para longe dos destroços. Os pedaços do avião desapareceram da superfície, e não demorou para que não restasse nada. Tentei não pensar em Joel, ele deve ter morrido o impacto foi todo frontal.

Boiei, atordoada, o coração acelerado. Rodeada apenas pelas ondas, tentei manter sobre controle para não entrar em pânico.

“Será que viram que caímos? Será que estavam nos monitorando pelo radar? Talvez não, porque ninguém apareceu ainda.

Eu estava com frio, mesmo que a água tivesse parecido morna.  Lidar com as ondas era mais fácil boiando de costas, mas eu tinha mais medo em vagar assim enquanto a correnteza me levava.

Eu tinha esperança de que eles mandariam socorro quando o sol nascesse. Alguém teria que saber que caímos até amanhecer. Meus pais nem sabem que estávamos naquele avião. As horas se passaram, e eu não conseguia ver nenhum tubarão no escuro. Talvez estivessem lá, eu evitava pensar.

Exausta, cochilei um pouco,  tentei não pensar nos tubarões que pudessem estar rodeando abaixo de mim.

Despertei novamente quando ouvi um som alto de água espirrando e me sobressaltei. Os espirros continuaram, quase ritmados.  Algo emergiu e levei um segundo para perceber o que era. Os espirros eram as ondas batendo em recifes que circundavam uma ilha bem a minha frente.  Senti alívio, preferia morrer na praia que no mar. “Credo, não quero morrer"

 A correnteza me levou para mais perto da ilha, mas tive que bater o braço e perna para ir em direção a ela. Usei toda grama de força que ainda tinha,  batendo as pernas freneticamente, meus pulmões queimando, nadei o mais rápido que pude.

Alcançando as águas calmas na laguna na parte interior dos recifes, mas não parei de nadar até meus pés tocarem o fundo de areia. Só tive energia para me arrastar para fora da água, ficando na borda. Logo depois, desmaiei.

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