Puxo a cortina com cuidado e encaro a noite lá fora.
Chovia. Uma chuva fina, persistente, que parecia lavar a cidade sem jamais limpá-la de verdade. Os faróis dos carros riscavam o asfalto molhado como lâminas de luz, e as poucas pessoas que ainda caminhavam pelas calçadas se protegiam sob guarda-chuvas grandes demais, apressadas demais, distantes demais.
Fico imaginando como é a vida delas.
Se dormem tranquilas.
Se têm medo de sair na rua.
Se também carregam monstros — ou se os monstros mor