Na voz de Clara
O triplex tinha ganhado uma nova vida. Não era apenas a presença de Dominic, mas a forma como cada canto parecia respirar diferente, como se as paredes também tivessem aprendido a amar. O silêncio já não era vazio — era atento. A luz parecia mais suave. Havia um cuidado novo nos gestos, nos passos, nas vozes que se mantinham baixas sem que ninguém precisasse pedir.
Eu observava tudo com o coração apertado de emoção, ainda tentando compreender que aquele menininho era nosso. Que ele existia agora fora de mim, ocupando o mundo com a mesma delicadeza com que havia ocupado meu ventre. Às vezes, me pegava apenas olhando, como se temesse que tudo fosse um sonho prestes a se desfazer.
Dona Victoria não se cansava de caminhar pelo apartamento com um sorriso orgulhoso. Seus olhos marejavam sempre que olhava para o neto, e havia nela uma felicidade serena, madura, de quem reconhece um ciclo que se renova. O senhor Julian permanecia mais quieto, mas bastava colocar Dominic em s