O aeroporto de Genebra não parecia um lugar onde decisões perigosas eram tomadas.
Era limpo demais.
Silencioso demais.
Organizado demais para combinar com o que Lívia carregava por dentro.
O avião tocou o solo com suavidade, como se o mundo quisesse fingir que aquela era apenas mais uma chegada internacional.
Não era.
Lívia manteve o cinto afivelado por alguns segundos a mais, respirando fundo. O corpo estava cansado, mas alerta — um estado estranho de vigília calma que só vinha depois de muitas noites mal dormidas.
— Chegamos — Dante disse, baixo, como se dissesse algo maior do que o óbvio.
Ela assentiu.
No corredor do desembarque, nada de recepção oficial. Nenhum carro diplomático. Nenhum sinal de importância visível.
Isso também era mensagem.
— Aqui ninguém exibe poder — Dante murmurou. — Eles o exercem em silêncio.
A imigração foi rápida demais para ser casual.
O agente conferiu o passaporte de Lívia por tempo suficiente para deixá-la desconfortável, depois carimbou sem levantar o