A tentativa de impedir a viagem não veio como ordem.
Veio como cuidado.
Era sempre assim.
Na noite anterior ao voo, o apartamento estava silencioso demais. Não o silêncio comum da madrugada, mas aquele silêncio denso, atento — como se o ar estivesse esperando alguma coisa.
Lívia estava sentada à mesa, revendo anotações que já sabia de cor. Não precisava reler. Precisava manter a mente ocupada.
Dante observava do outro lado da sala, celular na mão.
Ele percebeu primeiro.
O elevador.
Não o som habitual.
Não a parada programada no andar da segurança.
O elevador subiu direto.
— Lívia… — ele disse, baixo. — Não se levanta.
Ela ergueu o olhar.
Antes que pudesse perguntar, o interfone tocou.
Uma vez.
Sem insistência.
Sem pressa.
Dante caminhou até o painel e atendeu sem abrir imagem.
— Quem é?
— Boa noite, doutor Moreira. — a voz era masculina, educada, perfeitamente controlada. — Peço desculpas pelo horário. Prometo ser breve.
Lívia sentiu o corpo inteiro reagir.
Não reconhecia a voz.
E iss