A primeira menção pública a Serra Norte não veio como denúncia.
Veio como pergunta.
No fim da manhã, um portal econômico publicou uma nota discreta, quase enterrada entre análises de mercado:
“Órgãos reguladores reabrem apuração sobre antiga unidade industrial do Grupo Brandão.”
Nenhuma acusação direta.
Nenhum nome destacado.
Mas, para quem sabia ler entrelinhas, era o início do fim.
Lívia leu a nota no tablet, sentada à mesa do apartamento sob proteção. O café esfriava esquecido ao lado.
— Eles estão testando a reação — disse, sem levantar os olhos.
Dante assentiu.
— Sempre começam assim. — respondeu. — Primeiro normalizam o assunto. Depois ampliam.
No início da tarde, a palavra Serra Norte apareceu novamente.
Desta vez, em uma reportagem mais longa.
“Ex-funcionários relatam problemas de saúde após ‘acidente’ em unidade desativada nos anos 2000.”
O tom ainda era cauteloso.
Mas os depoimentos…
não.
Um homem de rosto marcado pela idade aparecia em vídeo.
— Disseram pra gente assinar um