A queda de Augusto Brandão não começou com algemas.
Começou com um e-mail.
Enviado às sete e doze da manhã para membros do conselho, diretoria jurídica, auditoria independente e dois órgãos reguladores. Curto. Objetivo. Assinado.
Assunto: Solicitação de esclarecimentos — contratos históricos (Unidade Serra Norte)
Augusto leu a mensagem três vezes.
Na primeira, subestimou.
Na segunda, sentiu o incômodo.
Na terceira, entendeu.
O nome da unidade estava ali.
Serra Norte.
Um passado que nunca deveria ter voltado à superfície.
Ele largou o tablet sobre a mesa e passou a mão pelo rosto.
— Quem…? — murmurou.
No prédio do Grupo Brandão, o movimento começou antes das reuniões formais.
Portas fechadas. Advogados chegando cedo demais. Telefones tocando sem resposta imediata.
— Augusto — disse Helena ao entrar no escritório dele, fechando a porta atrás de si. — Você recebeu?
Ele assentiu.
— Eles citaram Serra Norte. — respondeu, a voz baixa. — Com documentos.
Helena manteve a postura, mas os olhos