Lívia não dormiu naquela noite.
Não por medo.
Mas porque havia chegado ao ponto em que o silêncio já não era proteção — era participação.
O noticiário da madrugada repetia as mesmas palavras em variações cuidadosas: reabertura, suspeitas, documentos, Serra Norte. Nada definitivo ainda. Nada que alguém pudesse segurar como prova final.
Mas o suficiente para que a verdade pedisse passagem.
Ela estava sentada à mesa do apartamento sob proteção, o envelope aberto diante de si. Os papéis já não pare