Lívia não dormiu naquela noite.
Não por medo.
Mas porque havia chegado ao ponto em que o silêncio já não era proteção — era participação.
O noticiário da madrugada repetia as mesmas palavras em variações cuidadosas: reabertura, suspeitas, documentos, Serra Norte. Nada definitivo ainda. Nada que alguém pudesse segurar como prova final.
Mas o suficiente para que a verdade pedisse passagem.
Ela estava sentada à mesa do apartamento sob proteção, o envelope aberto diante de si. Os papéis já não pareciam apenas documentos antigos.
Pareciam vozes.
— Se você falar agora — Dante disse, em tom baixo —, o impacto será total.
Ela assentiu.
— Eu sei.
— Vão dizer que você está tentando se distanciar do legado. — Ele continuou. — Que é uma jogada de imagem.
— Que digam.
Dante a observou por alguns segundos.
— Depois disso, você não será apenas uma herdeira incômoda. — disse. — Vai se tornar uma ameaça real.
Lívia respirou fundo.
— Eu já sou. — respondeu. — Só estava fingindo que não.
Ela se levantou