O dossiê não chegou por canais oficiais.
Chegou sem remetente.
Um envelope grosso, deixado na portaria do prédio onde Lívia morava, entregue por um homem que não deixou nome, não pediu assinatura e não olhou duas vezes para trás.
O porteiro apenas disse:
— Mandaram entregar direto pra senhora.
Lívia sentiu o estômago apertar antes mesmo de abrir.
O papel era velho. Amarelado nas bordas. Cheirava a arquivo esquecido.
— Isso não é normal — murmurou, fechando a porta atrás de si.
Ela ligou para Dante antes de romper o lacre.
— Chegou algo aqui. — disse. — E eu não gosto da sensação.
— Não abra sozinha — ele respondeu de imediato. — Estou indo.
Mas Lívia já segurava o envelope com as duas mãos.
— Se isso for o que eu acho… — ela respirou fundo — talvez eu precise ver primeiro.
Silêncio do outro lado da linha.
— Seja cuidadosa.
Ela abriu.
O que caiu sobre a mesa não era apenas papel.
Era passado.
Relatórios antigos de obras.
Contratos de compra de terrenos.
Laudos ambientais incompletos.
E