O carro avançava pelas ruas ainda escuras da cidade, rápido demais para aquela hora da manhã.
Lívia observava o movimento borrado pela janela sem realmente ver nada. O corpo inteiro estava tenso, como se ainda esperasse a porta do elevador se abrir de novo — como se aquele homem pudesse surgir outra vez.
— Respira — Dante disse, firme, sem tirar os olhos da rua.
Ela tentou.
O ar entrou curto. Saiu pior.
— Ele sabia meu nome. — A voz dela saiu baixa. — Sabia onde eu moro. Sabia que eu tinha recebido o envelope.
Dante apertou o volante.
— Isso confirma que não foi coincidência. — respondeu. — Foi monitoramento.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Não era mais paranoia.
Era método.
— Para onde estamos indo? — Lívia perguntou.
— Para um lugar seguro. — ele respondeu. — E temporário.
Ela engoliu em seco.
— Temporário quanto?
— Até eu ter certeza de que você não corre risco imediato.
Ela virou o rosto para ele.
— Você está falando como se isso já estivesse decidido.
Dante finalmente a enca