Lucien Bellamy
Eu ainda não acredito no que acabei de dizer para Elisie.
As palavras não foram planejadas. Não passaram por nenhum filtro estratégico, nenhuma análise fria, nenhum cálculo de risco. Elas simplesmente saíram. Como quase tudo em mim sai. Automático e direto.
E talvez seja exatamente isso que me deixa desconfortável agora.
Eu nunca explico meu jeito. Nunca sinto necessidade. No meu mundo, as pessoas se adaptam ou são engolidas. Sempre foi assim. Controle, comando, reação. Não existe espaço para interpretação emocional quando se aprende a sobreviver desde cedo. Mas, com ela, algo escapa. Algo não se encaixa no roteiro que eu sempre segui com perfeição.
Mas, talvez tenha sido bom dizer.
Não para me justificar. Eu não preciso disso. Mas para que ela entenda que meu modo de agir não nasce da intenção de ferir. Ele nasce do hábito. Da formação. Da vida que me moldou antes mesmo que eu tivesse escolha.
Eu notei a mudança nela desde aquela dança.
Desde a conversa sobre filhos.
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