Elisie Charpentier
Eu me posiciono na entrada, exatamente onde Cordélia me deixa, e sinto o chão fugir um pouco dos meus pés. Respiro fundo, tentando manter os pulmões funcionando, mas quanto mais tento, mais parece que o ar pesa dentro de mim.
Hoje eu me torno uma Bellamy.
Hoje eu me torno esposa do homem mais temido da França.
Hoje… posso muito bem estar andando direto para a minha própria morte.
Minhas pernas tremem tanto que eu temo tropeçar antes mesmo de dar o primeiro passo. Meus dedos estão gelados, trêmulos, quase incapazes de segurar o buquê corretamente. E a pior parte é a sensação crescente de que, se algo der errado, se qualquer gesto for interpretado como afronta, eu posso ser eliminada bem ali, diante de todos. Como um espetáculo.
Mas eu não tenho tempo para esse tipo de pensamento.
As portas se abrem. Largas, pesadas, e o som ecoa pelo salão em um estrondo que parece anunciar minha sentença. Dezenas de pares de olhos se voltam para mim. Homens. Líderes. Membros influe