Capítulo 2 O Primeiro Sinal

A manhã chegou fria na Alcateia da Lua Negra.

A névoa ainda cobria parte da floresta quando Nyra abriu os olhos. Por um momento, tudo parecia normal. O quarto estava silencioso, e a luz suave do amanhecer atravessava as cortinas de linho.

Mas havia algo diferente.

O espaço ao lado dela na cama estava vazio.

Frio.

Nyra se sentou lentamente, passando os dedos pelos cabelos ainda bagunçados. Draven costumava acordar cedo, mas raramente saía sem pelo menos beijá-la antes.

Ela respirou fundo, tentando ignorar a sensação estranha que crescia em seu peito.

Talvez ele estivesse apenas ocupado.

Nos últimos meses, aquilo tinha se tornado comum.

Mesmo assim… algo dentro dela se inquietava.

Nyra levantou-se da cama e caminhou até a janela. Lá fora, alguns membros da alcateia já estavam acordados, iniciando suas tarefas matinais. Guerreiros treinavam perto da clareira, enquanto outros organizavam suprimentos.

Todos pareciam tranquilos.

Mas sua loba interior não estava.

Havia um peso estranho no ar.

Nyra fechou os olhos por um instante e tentou se concentrar na conexão que tinha com a alcateia. Era uma habilidade natural de uma Luna — sentir o estado emocional de seu povo.

Normalmente, aquilo a acalmava.

Mas hoje…

Ela sentiu algo que a fez franzir a testa.

Inquietação.

Pequena, quase imperceptível.

Mas estava lá.

Nyra se afastou da janela e vestiu um vestido simples de tecido escuro. Prendeu os cabelos rapidamente e saiu do quarto.

Os corredores da casa do Alfa estavam silenciosos.

Enquanto caminhava, alguns membros da alcateia que passavam pelo local abaixavam a cabeça respeitosamente.

— Bom dia, Luna.

— Bom dia.

Nyra respondia com gentileza, como sempre.

Ela havia aprendido desde cedo que uma Luna não governava apenas com força.

Mas com cuidado.

Com presença.

Ao descer as escadas principais, encontrou Kael, o Beta da alcateia.

Ele estava encostado na parede próxima à porta principal, conversando com dois guerreiros. Assim que viu Nyra, ele imediatamente ficou em postura formal.

— Luna.

Nyra sorriu levemente.

Kael era alto, de cabelos castanhos escuros e olhos atentos. Era o braço direito de Draven e um dos guerreiros mais leais da alcateia.

— Bom dia, Kael. Você viu o Alfa?

Kael hesitou.

Foi apenas um segundo.

Mas Nyra percebeu.

— Ele saiu cedo para a patrulha — respondeu finalmente.

Nyra inclinou a cabeça.

— Patrulha? Ele não mencionou nada ontem.

Kael cruzou os braços.

— Foi uma decisão de última hora.

Nyra assentiu, embora algo dentro dela continuasse desconfortável.

— Entendo.

Kael parecia observá-la com atenção.

— Está tudo bem, Luna?

Nyra sorriu novamente.

— Claro.

Mas naquele momento…

Uma pontada de dor atravessou seu peito.

Foi rápida.

Aguda.

Tão inesperada que ela levou a mão ao coração.

Kael imediatamente se aproximou.

— Nyra?

Ela respirou fundo.

A dor desapareceu tão rápido quanto veio.

— Estou bem — disse, tentando parecer tranquila.

Mas Kael não parecia convencido.

— Você está pálida.

Nyra soltou um pequeno riso.

— Provavelmente apenas cansaço.

Ela mudou de assunto rapidamente.

— A reunião com as alcateias do norte ainda acontecerá hoje?

— Sim. No início da tarde.

Nyra assentiu.

Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa…

Seu corpo balançou.

A visão escureceu por um segundo.

O chão pareceu girar.

Kael foi rápido o suficiente para segurá-la antes que ela caísse.

— Nyra!

Ela piscou algumas vezes, tentando recuperar o equilíbrio.

Seu coração batia rápido demais.

— Eu… estou bem…

Mas sua voz saiu mais fraca do que ela gostaria.

Kael a observava com preocupação.

— Você precisa ver o curandeiro.

— Não é necessário — respondeu ela imediatamente.

Ele cruzou os braços.

— Luna…

— Kael.

O tom dela foi firme.

Por um momento, o Beta suspirou.

— Pelo menos sente-se um pouco.

Nyra concordou.

Ele a ajudou a se sentar em um banco próximo.

Ela respirou fundo, tentando controlar o próprio corpo.

Algo não estava certo.

Seu corpo estava estranho nos últimos dias.

Cansaço.

Tonturas.

Dores que vinham e desapareciam sem explicação.

Mas ela havia ignorado.

Uma Luna não podia demonstrar fraqueza.

Principalmente quando a alcateia precisava dela.

Depois de alguns minutos, Nyra se levantou.

— Estou melhor agora.

Kael ainda parecia preocupado.

— Vou pedir para alguém chamar o curandeiro.

— Não precisa.

Ela colocou uma mão no ombro dele.

— Eu prometo que estou bem.

Kael não respondeu.

Mas acabou assentindo.

— Se precisar de algo…

— Eu sei.

Nyra deixou o salão e caminhou em direção à floresta.

Ela precisava de ar.

Precisava sentir a terra sob os pés.

A presença da lua.

Mesmo durante o dia.

Quando chegou à borda da floresta, fechou os olhos e inspirou profundamente.

O cheiro da natureza sempre a acalmava.

Mas então…

Outro cheiro apareceu.

Doce.

Estranho.

Feminino.

Nyra abriu os olhos lentamente.

Seu coração começou a bater mais forte.

Ela conhecia aquele cheiro.

Era o mesmo perfume que havia sentido na noite anterior dentro da casa.

Seu lobo interior rosnou baixo.

Instinto.

Alerta.

Nyra seguiu o rastro lentamente.

Passou entre as árvores.

Entre os arbustos.

Até chegar a uma pequena clareira escondida.

E então ela parou.

Seu coração congelou no peito.

Porque ali…

Diante dela…

Estava Draven.

E não estava sozinho.

Diante dele estava uma loba de cabelos negros como a noite.

Linda.

Elegante.

Com um sorriso lento nos lábios.

Vespera.

Nyra sentiu o mundo ao seu redor ficar em silêncio.

Ela não podia ouvir mais nada.

Apenas o próprio coração.

E então…

Draven estendeu a mão.

E tocou o rosto da outra loba.

Como ele costumava tocar o dela.

O chão pareceu desaparecer sob os pés de Nyra.

Porque naquele instante…

Algo dentro dela começou a se quebrar.

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