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Capítulo 3 O Que os Olhos Não Querem Ver

Nyra não respirou.

Por um instante, seu corpo simplesmente esqueceu como fazer isso.

Diante dela, na pequena clareira cercada pela floresta da Alcateia da Lua Negra, estava o homem que ela amava… tocando outra mulher.

O mundo parecia distante.

Como se ela estivesse assistindo aquela cena através de um vidro.

O vento balançava as folhas.

Os pássaros continuavam cantando.

Mas para Nyra…

Tudo havia parado.

Draven.

Seu Alfa.

Seu companheiro destinado.

Estava parado a poucos metros dela, completamente alheio à sua presença.

E diante dele estava Vespera.

A loba era tão bonita quanto perigosa. Seus cabelos negros desciam pelas costas como uma cascata de sombras, e seus olhos tinham um brilho estranho, quase hipnótico.

O sorriso em seus lábios era lento.

Calculado.

— Você deveria descansar mais, Alfa — disse Vespera suavemente.

A voz dela parecia mel.

Doce.

Mas algo nela fazia o lobo de Nyra rosnar profundamente.

Draven suspirou.

— Eu estou bem.

— Não parece — respondeu Vespera, inclinando a cabeça.

Ela ergueu a mão.

E então…

Tocou o rosto dele.

Nyra sentiu como se alguém tivesse cravado uma lâmina em seu peito.

Porque aquele era um gesto íntimo.

Um gesto reservado apenas para companheiros.

A mão de Draven não afastou a dela.

Ele não recuou.

Apenas ficou ali.

Observando Vespera.

Como se estivesse hipnotizado.

Nyra sentiu seu coração bater tão forte que chegou a doer.

Talvez…

Talvez houvesse uma explicação.

Talvez aquilo não fosse o que parecia.

Ela queria acreditar nisso.

Precisava acreditar.

Mas então Vespera deu um passo mais perto.

Perto demais.

— Você carrega muitas responsabilidades — disse ela, a voz quase um sussurro. — Alguém precisa cuidar de você também.

Draven passou a mão pelos cabelos escuros, claramente tenso.

— Eu não pedi isso.

— Eu sei.

Vespera sorriu.

— Mas mesmo assim estou aqui.

Nyra não aguentou mais.

Seu coração parecia estar sendo esmagado.

Ela deu um passo à frente.

Um galho quebrou sob seu pé.

O som ecoou pela clareira.

Draven virou a cabeça imediatamente.

Seus olhos dourados encontraram os dela.

E naquele momento…

Tudo mudou.

O silêncio caiu sobre a clareira.

Vespera também olhou para ela.

E o sorriso que apareceu em seus lábios foi lento.

Provocador.

Como se ela já soubesse que Nyra estava ali.

— Luna — disse Draven.

O tom da voz dele era neutro.

Frio.

Nada parecido com o homem que costumava chamá-la daquele jeito.

Nyra ficou parada.

Imóvel.

Seus olhos iam de Draven para Vespera.

E depois voltavam para Draven.

— Eu interrompi alguma coisa? — perguntou ela calmamente.

Por dentro…

Seu coração estava despedaçando.

Draven franziu levemente o cenho.

— O que você está fazendo aqui?

A pergunta foi como um tapa.

Nyra piscou.

— Eu moro aqui.

Vespera soltou um pequeno riso suave.

— Claro… — disse ela, dando um passo para trás. — Eu não quis causar problemas.

Nyra finalmente olhou diretamente para ela.

O sorriso de Vespera era inocente demais.

Falso demais.

— Quem é você? — perguntou Nyra.

Vespera inclinou a cabeça.

— Vespera. Cheguei recentemente à alcateia.

Nyra voltou o olhar para Draven.

— E você não achou importante mencionar isso?

Draven cruzou os braços.

— Ela está apenas de passagem.

— Passagem?

— Sim.

Nyra observou os dois novamente.

Algo dentro dela gritava.

Algo estava errado.

Muito errado.

Mas então aquela pontada de dor voltou.

Mais forte dessa vez.

Nyra levou a mão discretamente ao peito.

Respirou fundo.

Não.

Ela não iria demonstrar fraqueza.

Não ali.

Não diante daquela loba.

— Entendo — disse finalmente.

Draven parecia impaciente.

— Nyra, você deveria estar descansando.

Ela ergueu os olhos lentamente.

— Eu não sabia que precisava da sua permissão para caminhar pela própria floresta.

O silêncio que seguiu foi pesado.

Draven apertou a mandíbula.

— Não comece com isso.

Aquilo doeu.

Muito mais do que ela esperava.

Nyra respirou fundo.

— Eu não comecei nada.

Por um momento, nenhum dos dois falou.

Vespera observava tudo em silêncio.

Como se estivesse se divertindo.

E então ela deu um pequeno passo para trás.

— Acho que devo ir — disse suavemente.

Mas antes de se afastar completamente…

Ela passou a mão lentamente pelo braço de Draven.

Como um gesto casual.

Mas não era.

Nyra viu.

Draven também viu.

Mas ele não afastou a mão dela.

Vespera então se virou e começou a caminhar para dentro da floresta.

Antes de desaparecer entre as árvores…

Ela olhou para Nyra.

E sorriu.

Um sorriso que dizia apenas uma coisa:

Eu já venci.

Quando ela finalmente sumiu de vista, Nyra voltou a olhar para Draven.

Seu coração ainda batia rápido.

— Desde quando ela está aqui?

Draven suspirou.

— Isso realmente importa?

Nyra sentiu como se o chão tivesse se aberto sob seus pés.

— Importa para mim.

Ele passou a mão pelo rosto.

Claramente irritado.

— Nyra, eu tenho coisas mais importantes para lidar do que isso.

Ela ficou em silêncio por um momento.

Então perguntou baixinho:

— E eu ainda sou uma dessas coisas importantes?

Draven não respondeu.

E naquele instante…

Nyra sentiu algo dentro dela quebrar pela primeira vez.

Mesmo sem saber…

Era apenas o começo.

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