Mundo de ficçãoIniciar sessãoNyra não respirou.
Por um instante, seu corpo simplesmente esqueceu como fazer isso.
Diante dela, na pequena clareira cercada pela floresta da Alcateia da Lua Negra, estava o homem que ela amava… tocando outra mulher.
O mundo parecia distante.
Como se ela estivesse assistindo aquela cena através de um vidro.
O vento balançava as folhas.
Os pássaros continuavam cantando.
Mas para Nyra…
Tudo havia parado.
Draven.
Seu Alfa.
Seu companheiro destinado.
Estava parado a poucos metros dela, completamente alheio à sua presença.
E diante dele estava Vespera.
A loba era tão bonita quanto perigosa. Seus cabelos negros desciam pelas costas como uma cascata de sombras, e seus olhos tinham um brilho estranho, quase hipnótico.
O sorriso em seus lábios era lento.
Calculado.
— Você deveria descansar mais, Alfa — disse Vespera suavemente.
A voz dela parecia mel.
Doce.
Mas algo nela fazia o lobo de Nyra rosnar profundamente.
Draven suspirou.
— Eu estou bem.
— Não parece — respondeu Vespera, inclinando a cabeça.
Ela ergueu a mão.
E então…
Tocou o rosto dele.
Nyra sentiu como se alguém tivesse cravado uma lâmina em seu peito.
Porque aquele era um gesto íntimo.
Um gesto reservado apenas para companheiros.
A mão de Draven não afastou a dela.
Ele não recuou.
Apenas ficou ali.
Observando Vespera.
Como se estivesse hipnotizado.
Nyra sentiu seu coração bater tão forte que chegou a doer.
Talvez…
Talvez houvesse uma explicação.
Talvez aquilo não fosse o que parecia.
Ela queria acreditar nisso.
Precisava acreditar.
Mas então Vespera deu um passo mais perto.
Perto demais.
— Você carrega muitas responsabilidades — disse ela, a voz quase um sussurro. — Alguém precisa cuidar de você também.
Draven passou a mão pelos cabelos escuros, claramente tenso.
— Eu não pedi isso.
— Eu sei.
Vespera sorriu.
— Mas mesmo assim estou aqui.
Nyra não aguentou mais.
Seu coração parecia estar sendo esmagado.
Ela deu um passo à frente.
Um galho quebrou sob seu pé.
O som ecoou pela clareira.
Draven virou a cabeça imediatamente.
Seus olhos dourados encontraram os dela.
E naquele momento…
Tudo mudou.
O silêncio caiu sobre a clareira.
Vespera também olhou para ela.
E o sorriso que apareceu em seus lábios foi lento.
Provocador.
Como se ela já soubesse que Nyra estava ali.
— Luna — disse Draven.
O tom da voz dele era neutro.
Frio.
Nada parecido com o homem que costumava chamá-la daquele jeito.
Nyra ficou parada.
Imóvel.
Seus olhos iam de Draven para Vespera.
E depois voltavam para Draven.
— Eu interrompi alguma coisa? — perguntou ela calmamente.
Por dentro…
Seu coração estava despedaçando.
Draven franziu levemente o cenho.
— O que você está fazendo aqui?
A pergunta foi como um tapa.
Nyra piscou.
— Eu moro aqui.
Vespera soltou um pequeno riso suave.
— Claro… — disse ela, dando um passo para trás. — Eu não quis causar problemas.
Nyra finalmente olhou diretamente para ela.
O sorriso de Vespera era inocente demais.
Falso demais.
— Quem é você? — perguntou Nyra.
Vespera inclinou a cabeça.
— Vespera. Cheguei recentemente à alcateia.
Nyra voltou o olhar para Draven.
— E você não achou importante mencionar isso?
Draven cruzou os braços.
— Ela está apenas de passagem.
— Passagem?
— Sim.
Nyra observou os dois novamente.
Algo dentro dela gritava.
Algo estava errado.
Muito errado.
Mas então aquela pontada de dor voltou.
Mais forte dessa vez.
Nyra levou a mão discretamente ao peito.
Respirou fundo.
Não.
Ela não iria demonstrar fraqueza.
Não ali.
Não diante daquela loba.
— Entendo — disse finalmente.
Draven parecia impaciente.
— Nyra, você deveria estar descansando.
Ela ergueu os olhos lentamente.
— Eu não sabia que precisava da sua permissão para caminhar pela própria floresta.
O silêncio que seguiu foi pesado.
Draven apertou a mandíbula.
— Não comece com isso.
Aquilo doeu.
Muito mais do que ela esperava.
Nyra respirou fundo.
— Eu não comecei nada.
Por um momento, nenhum dos dois falou.
Vespera observava tudo em silêncio.
Como se estivesse se divertindo.
E então ela deu um pequeno passo para trás.
— Acho que devo ir — disse suavemente.
Mas antes de se afastar completamente…
Ela passou a mão lentamente pelo braço de Draven.
Como um gesto casual.
Mas não era.
Nyra viu.
Draven também viu.
Mas ele não afastou a mão dela.
Vespera então se virou e começou a caminhar para dentro da floresta.
Antes de desaparecer entre as árvores…
Ela olhou para Nyra.
E sorriu.
Um sorriso que dizia apenas uma coisa:
Eu já venci.
Quando ela finalmente sumiu de vista, Nyra voltou a olhar para Draven.
Seu coração ainda batia rápido.
— Desde quando ela está aqui?
Draven suspirou.
— Isso realmente importa?
Nyra sentiu como se o chão tivesse se aberto sob seus pés.
— Importa para mim.
Ele passou a mão pelo rosto.
Claramente irritado.
— Nyra, eu tenho coisas mais importantes para lidar do que isso.
Ela ficou em silêncio por um momento.
Então perguntou baixinho:
— E eu ainda sou uma dessas coisas importantes?
Draven não respondeu.
E naquele instante…
Nyra sentiu algo dentro dela quebrar pela primeira vez.
Mesmo sem saber…
Era apenas o começo.







