Naquela tarde, o frio parecia observar mais do que gelar. O vento vinha baixo, arrastando o cheiro da ponte, do rio e da madeira úmida — como se tentasse trazer memórias que ninguém pediu. A casa inteira estava inquieta, mas não com medo: estava… atenta.
Helena caminhava pelo corredor que dava para o pátio interno. De tempos em tempos, parava e tocava as paredes, como se pudesse sentir com os dedos aquilo que o vento carregava. A sensação era sempre a mesma: as pedras estavam acordadas. Não ape