A casa respirava mesmo quando todos acreditavam que ela dormia. Havia um tipo de som que só existia ali — não era o ranger da madeira nem o estalo das paredes antigas. Era algo mais fundo, quase orgânico, como se cada cômodo carregasse lembranças demais para permanecer em silêncio.
A mãe acordou antes do sol. Não por insônia, mas porque o corpo aprendera, ao longo dos anos, a despertar sempre alguns segundos antes de algo acontecer. Ela ficou deitada, olhando o teto, sentindo o peso do dia que