O dia amanheceu nublado, com um céu baixo e pesado, como se o mundo estivesse em suspensão. Não chovia, mas o ar carregava a promessa de algo prestes a cair. Ela percebeu isso assim que abriu a janela. O vento vinha diferente — não agressivo, apenas insistente, como uma pergunta que se repete até ser respondida.
Havia semanas que sua rotina mudara. Não drasticamente, não de forma visível para quem olhasse de fora. Ainda acordava cedo, ainda cumpria horários, ainda sorria quando necessário. Mas