Capítulo 31

Eu acordei antes de Aurora.

Não foi um despertar tranquilo. Foi aquele tipo de despertar em que o corpo desperta primeiro, alerta, atento, como se tivesse pressentido algo antes mesmo da mente alcançar. O quarto ainda estava escuro, o abajur apagado, e a respiração da menina era o único som constante naquele espaço. Ela dormia de lado, o rosto relaxado, uma das mãos fechada no tecido da minha blusa, como se tivesse medo de que eu desaparecesse no meio da noite.

Fiquei imóvel por alguns minutos, respeitando o sono dela. A noite tinha sido tranquila depois do pesadelo, mas eu sentia um peso estranho no peito, uma inquietação que não combinava com a paz aparente daquele momento. Talvez fosse o acúmulo de tudo. Talvez fosse a certeza de que aquela casa nunca permitia calmarias duradouras.

Com cuidado, soltei a mão dela dos meus dedos. Aurora se mexeu levemente, mas não acordou. Levantei devagar, ajeitei o cobertor e saí do quarto, fechando a porta sem fazer barulho.

O corredor ainda estav
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