Eu percebi que algo estava errado antes mesmo do mal-estar se tornar impossível de ignorar. Não foi uma dor repentina, nem um desmaio imediato. Foi uma sensação estranha, silenciosa, como se meu corpo estivesse se desligando aos poucos, sem me pedir permissão.
Estava no corredor que levava à sala de estudos de Aurora quando o chão pareceu inclinar levemente. Parei. Respirei fundo. Apoiei a mão na parede fria, tentando convencer a mim mesma de que era apenas cansaço, talvez fome, talvez a soma de noites mal dormidas e emoções demais acumuladas em um espaço curto de tempo.
Aurora caminhava alguns passos à frente. Quando percebeu que eu não a acompanhava, virou o rosto devagar. Os olhos verdes me examinaram com atenção silenciosa, aquela atenção profunda que parecia sempre ir além do que se mostrava.
Eu tentei sorrir para tranquilizá-la.
Não consegui.
O aperto no peito veio logo depois. Um calor estranho subiu pelo meu corpo, seguido por uma tontura que fez minha visão escurecer nas bord