Mundo ficciónIniciar sesiónSelena nasceu na noite em que o céu sangrou. Sob um raro eclipse lunar total, a lua vermelha marcou seu nascimento como um presságio — e selou sua condenação. Rejeitada pelo próprio pai e vista como um mau agouro, Selena cresce à margem da família, confinada ao orfanato Destino, enquanto sua irmã Alana, nascida sob a lua prateada, é celebrada como perfeita. Duas irmãs, dois destinos opostos, separados por um instante. Quando segredos antigos e lendas esquecidas começam a emergir, Selena se vê envolvida em uma traição que quase lhe custa a vida. Mas a morte não a reclama. Ao despertar, algo dentro dela muda. Um poder adormecido desperta, ligado a um artefato ancestral deixado por seu avô — e a uma herança que jamais deveria ter sido revelada. Pela primeira vez, Selena percebe que a maldição que lhe foi atribuída pode não ser o que parece. Determinada a romper com o passado e escrever o próprio destino, ela parte em busca da verdade. Porém, quanto mais se aproxima dela, mais perigoso se torna o caminho — e mais claro fica que sua história começou muito antes daquela noite de eclipse. Seria Selena apenas vítima de uma superstição cruel… ou a chave de um poder que o mundo tentou silenciar?
Leer másSelena, após colocar as crianças para dormirem, seguiu para a pequena lavanderia do orfanato.
O som de passos ecoando pelo corredor anunciou a chegada de alguém. Ao erguer o olhar em direção à porta do pequeno cômodo, encontrou a diretora parada ali, observando-a com o rosto fechado. — Deseja algo, senhora? — perguntou, tentando manter a voz firme, embora um leve medo lhe apertasse o peito. A diretora já era uma mulher de idade avançada, mas sua presença continuava fria e intimidadora. Todos no orfanato Destino a temiam. Sem rodeios, ela falou com uma voz áspera: — Vá até minha sala. Chame também as outras freiras. Selena deixou o que estava fazendo e saiu apressada. Enquanto caminhava pelos corredores mal iluminados, um pensamento insistente martelava em sua mente. O que será agora? O orfanato já estava decadente. O pouco que tinham vinha das doações que as freiras conseguiam com pedidos de ajuda. Percebendo que andava devagar demais, apressou os passos e entrou na sala de oração. Após uma breve prece, aproximou-se e passou o recado em voz baixa. A freira se levantou imediatamente e saiu, fechando a porta atrás de si. — Ela disse o que queria? — perguntou a freira, em tom contido. — Não. Apenas pediu que chamasse todas — respondeu Selena, com respeito. A freira pareceu pensar por um instante antes de falar: — Está na hora da oração. Não vou retirar as meninas da sala. Eu mesma irei ver o que ela deseja. — Fez uma pausa. — Tenho certeza de que não é nada bom. Já escrevi ao nosso superior relatando o que acontece aqui. Aquelas palavras fizeram o coração de Selena apertar. — Se for isso… então… — ela se calou quando a voz falhou, tomada pela vontade de chorar. — Será que vão levá-las de volta? Com um semblante bondoso, a freira tocou sua mão. — Não se precipite. Se for por isso, talvez todos tenham uma vida melhor. Ao chegarem à diretoria, encontraram a porta aberta. A diretora se levantou de imediato e falou, fria como sempre: — Recebemos uma ordem para fechar o orfanato. Temos uma semana para preparar tudo e as crianças. Elas serão encaminhadas para outro lugar. Selena olhou para a freira, alarmada. — E eu? — perguntou, sentindo o peso da pergunta. — Como fica a minha situação? Ela sabia. Já deveria ter deixado o orfanato ao completar dezoito anos. A diretora desviou o olhar. — Isso iremos conversar depois. Agora, preciso que todos ajudem a preparar o fechamento e a mudança das crianças — disse, dispensando-as com um gesto seco. Já afastadas, a freira percebeu a expressão preocupada de Selena. — Vai dar certo. Não sofra antes do tempo — falou, tentando encorajá-la. Selena respirou fundo. — Espero. Nunca saí daqui… nem sei nada sobre meu passado. Só continuei no orfanato porque era útil nas tarefas. — Ela hesitou por um instante. — Confesso que tenho medo do meu futuro. Sem esperar resposta, afastou-se em direção à lavanderia. Naquela noite, Selena não conseguiu dormir. Pela manhã, as marcas escuras sob seus olhos denunciavam o cansaço, embora ninguém fizesse perguntas. Mesmo exausta, continuou cuidando das crianças e ajudando a preparar tudo para a mudança. Cada despedida silenciosa parecia arrancar um pedaço de si. Na noite anterior à partida de todos, Selena foi chamada ao escritório. A cada passo pelo corredor, sentia os pés pesarem, como se carregassem algo invisível. Era sobre o seu futuro que iria ouvir — talvez, finalmente, algo sobre seu passado. A incerteza lhe comprimia o peito, pesada como um presságio, alcançando não apenas o corpo, mas também a alma. A diretora falava ao telefone quando Selena chegou. Após um breve sinal com a mão, indicou que aguardasse. A ansiedade começou a corroê-la. Distraída pelos próprios pensamentos, Selena se assustou ao ouvir seu nome. Entrou no escritório e permaneceu parada, torcendo os dedos. A diretora manteve o silêncio por alguns segundos, depois pigarreou antes de falar: — Pela sua idade, você não poderá acompanhar as crianças — disse, com a voz fria. — Mas já a encaminhei para uma casa de família. Uma freira irá acompanhá-la com os devidos documentos. Espero que seja agradecida. Fez uma breve pausa, observando-a sem qualquer traço de compaixão. — Ninguém ajuda uma moça. Não envergonhe o orfanato na sua nova casa. Seja discreta e mantenha a gratidão da família que irá acolhê-la. Pode se retirar. Você partirá amanhã com todos, mas seguirá depois que as crianças desembarcarem. Selena franziu a testa, confusa. — Para onde estou indo trabalhar? A diretora não se deu ao trabalho de olhá-la. — Não faça perguntas. Apenas siga o cronograma que será entregue às freiras. Lembre-se: você foi descartada à minha porta. Colocá-la em uma casa para trabalhar já é mais do que eu poderia fazer. Pode se retirar. Ao sair do escritório, as pernas de Selena tremeram. Existem verdades que rompem a alma — quebram-se como espelhos e jamais se recompõem. O peito apertou, como uma bomba prestes a explodir. Ainda assim, ela respirou fundo, tentando se acalmar. Aquilo era a verdade. A sua realidade. Selena só queria uma oportunidade de saber qual fora o erro que a havia levado até aquele lugar. A noite foi inquieta, repleta de pesadelos. Acordou coberta de suor, com o coração acelerado. Tudo parecia real demais. Observando as paredes frias ao redor, encolheu-se e percebeu que não conseguiria dormir novamente. Pensou nas crianças, agarrando-se a essa imagem como uma forma de afastar o medo. Ainda de madrugada, Selena e as freiras prepararam as crianças para a partida. Um ônibus aguardava do lado de fora, pronto para levá-las até a estação de trem. Depois de acomodarem todas, Selena e as freiras retornaram ao orfanato para buscar as bagagens. Apesar de tudo, ela se despediu do único lugar onde viveu por dezoito anos. Cada parede fria carregava fragmentos da sua história. Os quartos já vazios despertaram lembranças distantes, de quando ainda era apenas uma criança tentando sobreviver ao silêncio. Ao fechar as portas, não encerrava apenas um prédio — rompia um vínculo. Um vínculo frio, duro… mas que havia sido sua vida. Com o destino incerto, girou a chave na fechadura. A diretora não apareceu. Não houve despedida. Ao ouvir o clique metálico da porta trancada, Selena soube que deixava algo para trás. E, ao mesmo tempo, que outra porta se abria diante dela. Seu maior medo não era o desconhecido. Era descobrir que tudo aquilo não passava de uma troca de cenário — sair do que conhecia apenas para entrar em outro lugar com o mesmo formato, a mesma frieza… e o mesmo abandono.Selena encosta na cabeceira da cama, segurando o colar. “Do que adiantou esse tempo, se não mudei nada? Apenas me deixei levar?” Fecha os olhos. Estar sem Pandora é como estar sem apoio. “Não… preciso agir. Até agora não fiz nada concreto. Só segui o fluxo, me mantendo distante.”Ela abre os olhos. Pela primeira vez, decide por conta própria. Coloca o colar no pescoço e se levanta.O telefone toca. Ela atende sem olhar para o visor. — Alô? — Selena? Desculpe ligar tão cedo, mas estamos com um problema. — Já estava acordada, Pierre. Não se culpe. O que aconteceu? — É na obra. Não posso ir verificar. Poderia ir? Ela não hesita. — Claro. Vou me arrumar e sair.Ao chegar na sala, encontra Claudia e Adam tomando café. — Sente, querida. Venha lanchar — diz Claudia, sorrindo. — Infelizmente, preciso sair. Houve um problema na obra. Adam ergue os olhos. — Eu te levo. Pelo menos toma um café antes. — Não precisa. À noite conversamos.Pega a bolsa. — Tenham um bom dia. E sai.Cl
Na volta para casa, Selena se perde pensando no encontro inesperado com Azir. Tenta lembrar se já o conheceu antes, mas não encontra nenhuma pista.Ao chegar, vê a luz acesa no escritório.Assim que entra, Adam sai de uma das salas laterais.— Adam? Pensei que estava dormindo — diz ela, fechando a porta com cuidado.— Estava trabalhando. Nem percebi a hora — responde ele, tentando disfarçar. — Como foi a festa?Selena coloca a bolsa sobre a mesa.— Essas festas são sempre a mesma coisa. É a forma de arrumar patrocínio. Já deve ter participado de algo assim… afinal, agora é importante.— Já. Infelizmente.— Não gosta desse tipo de evento? — pergunta, curiosa.— É só obrigação. Hoje não preciso mais fazer essa cerimônia.Ela suspira, pegando a bolsa novamente.— Se me der licença, vou deitar. Esse tipo de evento me deixa cansada.E vira-se para sair.Adam continua parado mesmo após ela ter entrado no quarto. Selena toma banho e se prepara para deitar, mas o sono não vem.Azir insiste e
Selena pegou o telefone.— Alô?— Selena? É o Pierre.Ela se levantou e se afastou alguns passos.— Oi. Aconteceu alguma coisa?— Nada grave. Mas surgiu um evento importante. Precisamos que você vá.— Hoje?Ele explicou o horário e o local.Ela pensou por um instante.— Tá bom. Confirma minha presença.— Te mando os detalhes.— Obrigada.Selena desligou e voltou para a sala.Adam a observava.— Trabalho?— É. Um evento. Preciso ir.— Você está bem para sair?Ela respirou fundo.— Estou. O que aconteceu foi à parte. Não vou misturar vida particular com o meu trabalho.E seguiu para o quarto, já pensando no que vestir.Ao fechar a porta do quarto, o tablet emite um alerta curto.Selena franze a testa e pega o aparelho.Há uma lista aberta na tela. Nomes. Fotos. Pequenos resumos. Pessoas que ela nunca viu.Ela desliza o dedo, lê rápido… para.— Eu, hein… que loucura. Nem conheço essa gente.Deixa o tablet sobre a cama e segue para o banho.A água cai quente sobre os ombros, e ela fica al
Selena observava Souza com olhos frios enquanto ele tentava manipular com suas palavras, cada gesto estudado.— Selena… pensei que seria bom conversarmos. Talvez resolver mal-entendidos… — dizia ele, sorrindo de maneira artificial.Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços:— Mal-entendidos? Meu caro pai, você me jogou em um orfanato! Agora aparece com sorrisos falsos e acha que pode enganar alguém? — Sua voz firme fez Souza recuar um passo. — Me desculpe, não estou interessada em drama ou manipulação.Enquanto a conversa se arrastava, Alana e a madrasta trocavam olhares cúmplices do outro lado da sala. Selena percebeu o acordo silencioso entre as duas e, pelo modo como seu maxilar se contraiu por um instante, Souza entendeu que ela não estava distraída.Selena decide encerrar sua visita. Ela pegou a bolsa com calma.— Se era só isso, já conversamos o suficiente. Tenho compromisso. Sem esperar resposta, deixou a sala.— Droga! — disse ele, antes de se sentar novamente.Enquanto
Souza, ao ver Selena, se levanta com um sorriso forçado. — É mesmo você! Selena, minha filha! Te procurei…Com um simples gesto, Selena o cala.— Vamos conversar sem esse papo furado de “Selena” e “minha filha”. Não seja hipócrita. Me jogou no orfanato quando eu era apenas um bebê e agora vem dar a de bom pai? Me acha idiota?Souza recua, visivelmente surpreso. A madrasta se levanta rapidamente. — Mas o que é isso? Quem é essa bastarda para falar assim? — diz, segurando o braço do marido, tentando contê-lo.— Eu? Bastarda? — Selena responde com voz firme, olhos fixos em Souza. — Me poupe, Sr. Souza. Controle sua amante.A madrasta se levanta, indignada. — Amante? Sou a esposa de Souza! Você me deve respeito! — diz, descontrolada.Alana acompanha, erguendo-se para defender a mãe. — Quem é você para entrar em nossa casa e atacar meus pais? Sua arrogância e raiva são evidentes.Selena bate palmas, apreciando a cena com um leve sorriso. — Parabéns! Muito bom… mas não vim assistir dra
Selena encosta na porta após fechá-la. A mão que antes latejava agora nem sente nada. Ela decide tomar banho.Ao retirar a bandagem feita por Adam, fica surpresa: o corte desapareceu. "Mas o que é isso?" pensa, confusa.O tablet pisca em sinal de alerta. Ela esquece a mão por um instante e senta, pegando-o. Abas estranhas aparecem sem que ela toque na tela.— Selena? Tudo bem? — a voz de Adam soa pela porta.— Sim! Só um instante — responde, guardando o tablet na gaveta. Depois, abre um pouco a porta: — Desculpe, estava tomando banho.— Vou trazer o material para refazer o curativo.— Não precisa. Protegi a mão e ela não molhou. Adam… podemos falar amanhã? Hoje foi cansativo — diz ela, apressada.— Ok. Cuidado durante a noite, se sentir qualquer coisa, avise — responde ele, afastando-se com um olhar desconfiado.Selena senta novamente e abre a gaveta devagar. Seus pensamentos giram sem rumo, como se cada ideia lutasse por atenção. Depois de alguns segundos de hesitação, pega o table
Último capítulo