Francine sempre foi boa em ler ambientes.
Não por instinto místico, nem por romantização exagerada — mas porque, durante anos, precisou aprender a perceber perigos antes que eles se anunciassem. Como mulher trans num mundo que constantemente a testava, ela aprendera cedo que atenção era sobrevivência. E agora, aquela mesma atenção estava voltada para Raquel.
Algo estava mudando.
No início, Francine atribuiu o cansaço da amiga à crise da empresa. Fazia sentido: noites longas, decisões difíce