Marcelo acordou com o gosto amargo de ferro na boca.
Não sabia dizer se vinha do sonho ou da memória — porque, naquele ponto, as duas coisas já não se distinguiam com clareza. O quarto estava escuro, silencioso demais. O relógio marcava quatro e dezessete da manhã. Ele não tentou voltar a dormir. Sabia que seria inútil.
O passado havia decidido falar.
O primeiro flashback veio sem aviso, como um soco seco.
Ele tinha oito anos.
A casa do tio era pequena, organizada com rigidez quase milita