Mundo ficciónIniciar sesiónO jantar havia terminado há poucos minutos, mas Tyler não tinha pressa alguma de voltar para a cabine. O salão do navio ainda pulsava com música baixa, taças tilintando e risos dispersos, mas ele só enxergava Jane.
Ela caminhava ao seu lado, o vestido azul-marinho colado ao corpo de forma discreta e provocante ao mesmo tempo. Não havia exagero — nunca havia. Jane tinha essa maneira silenciosa de ser desejável, como se não soubesse exatamente o efeito que causava. — Você está quieto — ela disse, quebrando o silêncio, sem parar de andar. Tyler sorriu de canto. — Estou tentando aproveitar. Isso. O momento. Você. Jane parou no corredor, de frente para ele. — E por que isso te deixaria em silêncio? Ele pensou por alguns segundos. — Porque faz tempo que eu não me sinto em paz. E isso… — ele fez um gesto vago entre os dois — parece frágil. Como se eu pudesse perder se falar alto demais. O olhar dela suavizou. — Tyler, você não precisa andar em ovos comigo. — Eu preciso — ele respondeu baixo. — Porque eu não sobrevivi à última perda. Eu apenas continuei respirando. Jane se aproximou. A distância entre eles se dissolveu sem pressa. Ela apoiou a mão no peito dele, sentindo o coração acelerado sob a camisa social. — Então me usa como âncora — disse em tom calmo. — Mas não me transforma em salvadora. Eu não quero te curar. Quero caminhar com você. O silêncio que se seguiu foi denso, íntimo. Tyler segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou. Não foi um beijo urgente. Foi profundo. Lento. Demorado. Um beijo que explorava, que reconhecia, que pedia permissão. Jane respondeu sem hesitar. Os lábios macios, quentes, entregues. A língua tocando a dele com uma intimidade que já não era nova — apenas mais consciente. Quando se afastaram, ela encostou a testa na dele. — Cabine — ela sussurrou. Eles não falaram mais nada. A porta se fechou atrás deles com um clique suave. O quarto estava iluminado apenas pela luz lateral do corredor que entrava pela janela. O mar refletia movimentos lentos no teto, criando sombras líquidas sobre as paredes. Tyler não esperou. Ele a puxou pela cintura e a encostou na porta. Beijou seu pescoço, a curva abaixo da orelha, os lábios descendo lentamente. Jane fechou os olhos. — Tyler… — Fala. — Não me trata como algo frágil. Ele levantou o rosto. — Eu não te vejo como frágil. — Então me deseja — ela disse. — Não me protege. O olhar dele escureceu. As mãos deslizaram pelo corpo dela com mais firmeza. Ele subiu o vestido devagar, revelando as coxas, a pele quente, o arrepio imediato ao toque. Jane o puxou pela camisa, abrindo os botões um a um. — Você não faz ideia do efeito que tem quando fica em silêncio — ela murmurou. — Então me ensina — ele respondeu. Ela o empurrou até a cama. Sentou sobre ele. O vestido escorreu pelo corpo, lento, como uma revelação. Nada vulgar. Tudo intenso. Tyler percorreu cada centímetro com as mãos, como se estivesse memorizando. — Você é real — ele disse, quase para si mesmo. — Às vezes eu acho que estou inventando você. Jane se inclinou e beijou sua boca, depois desceu pelo pescoço, peito, abdômen. — Então me sente — ela sussurrou. — Para não esquecer. O encontro entre eles foi lento, profundo, marcado por respiração pesada, gemidos contidos, movimentos ritmados, íntimos. Não havia pressa. Havia entrega. Quando terminaram, permaneceram juntos, corpos colados, respirações se acalmando. Jane ficou deitada sobre o peito dele, ouvindo o coração. — Você ainda pensa nela? — ela perguntou, sem acusação. Tyler demorou a responder. — Menos quando estou com você. Jane levantou o rosto. — Isso não é a resposta certa. — É a honesta. Ela ficou em silêncio por alguns segundos. — Então não me usa como anestesia, Tyler. — Eu não quero te usar. — Querer não é o mesmo que saber. Ele suspirou. — Eu não sei amar sem me perder. Jane tocou o rosto dele com cuidado. — Então se perde comigo. Mas não me transforma em substituição. O mar seguia calmo do lado de fora. E, pela primeira vez desde a morte de Diana, Tyler dormiu sem sonhar.






