Ponto de Vista: Maya
Paris tinha um cheiro de chuva e perfume caro, um contraste gritante com o cheiro de maresia e protetor solar que eu carregava na memória. Eu deveria ficar quinze dias com ele, mas a vida na pousada, a Aline e o Festival que tínhamos acabado de passar me chamavam de volta. Eu só tinha uma semana. Uma semana para viver o conto de fadas antes de voltar a ser a Maya de Porto do Silêncio.
O show em Paris foi monumental. Ver o Leo no palco da Accor Arena, cantando para uma multidão que arranhava o português para acompanhá-lo, foi de arrepiar. Eu estava nos bastidores, sentindo a vibração do chão sob meus pés.
Mas aí, a Sarah apareceu.
Ela chegou no camarim após o show, com um vestido que parecia custar mais que o faturamento de um mês da minha pousada. Ela ria, falava alto, e se aproximou do Leo com uma intimidade que me fez travar a mandíbula por um segundo. Mas o Leo... o Leo foi impecável. Ele a cumprimentou com educação, mas manteve uma distância física que deixava