Ponto de Vista: Leonardo
O aeroporto Charles de Gaulle estava envolto em uma névoa cinzenta que combinava perfeitamente com o meu humor. Despedidas nunca foram meu forte, mas me despedir da Maya em solo estrangeiro, sabendo que eu seguiria para o norte e ela para o sul, parecia arrancar um pedaço do meu peito.
— Leva isso — eu disse, entregando a ela uma pequena caixa de veludo azul que comprei em um antiquário em Saint-Germain. — Não abre agora. Abre quando chegar na nossa casa de pedra. É um pedaço de Paris para a nossa âncora.
Era uma chave antiga, de bronze, que o vendedor jurou ter pertencido a um castelo no Loire. Para mim, era o símbolo de que, não importa onde eu estivesse, a chave do meu mundo ficava com ela. Dei um último beijo nela, um daqueles que a gente tenta fazer durar uma eternidade, e vi a Maya desaparecer pelo portão de embarque.
Rumo ao Norte
O jatinho já estava na pista, brilhando sob a chuva fina. A manutenção estava impecável, e a Sarah já estava a bordo, revisa