Ponto de Vista: Maya
Três dias. Foram necessários três dias de silêncio absoluto para que eu conseguisse ouvir a minha própria voz novamente, acima do ruído das redes sociais e da dor que latejava no meu peito. Durante esse tempo, meu celular tornou-se um objeto estranho, deixado propositalmente desligado na gaveta da cabeceira. Eu me refugiei no trabalho.
Fiquei na pousada tempo integral, mergulhada em lençóis para lavar, planilhas de estoque e conversas triviais com os hóspedes. O Tião e a Fátima me olhavam com uma preocupação silenciosa, mas respeitavam o meu espaço. Eles sabiam que, para mim, o trabalho sempre foi o meu modo de processar o mundo. Eu limpei mesas, organizei a despensa e ajudei a Aline na recepção até que meus pés doessem e minha mente estivesse exausta demais para imaginar cenas em corredores de hotéis alemães.
Mas, na terceira noite, a necessidade de enfrentar a verdade tornou-se maior do que o medo. Voltei para a casa de pedra. O som das ondas batendo nas rochas