Ponto de Vista: Leonardo
O silêncio de Maya era uma tortura física. Eu subia nos palcos, encarava as luzes e a massa de gente gritando meu nome, mas a única voz que eu precisava ouvir estava calada. Berlim havia se tornado um labirinto de culpa e frustração. Eu não dormia; passava as madrugadas encarando o teto do hotel, imaginando-a na nossa casa de pedra, segurando aquela chave de bronze e se perguntando se tudo o que vivemos foi uma mentira.
No ensaio técnico para a última noite na Alemanha, o clima era de velório. Sarah estava sentada no canto do palco, evitada por metade da equipe técnica. Eu a chamei para o camarim, e a conversa foi tensa como um cabo de aço prestes a romper.
— Você precisa desmentir isso, Sarah. Agora — eu disse, sem rodeios.
Ela me olhou com os olhos marejados, mas não de arrependimento, e sim de uma mistura de orgulho ferido e paixão mal direcionada.
— Leo, como eu vou dizer para o mundo que eu tentei te beijar e você me empurrou? Você tem ideia do que isso f