A Fotógrafa e o Fazendeiro: O Garanhão No Laço

A Fotógrafa e o Fazendeiro: O Garanhão No Laço PT

Romance
Última atualização: 2026-08-21
Heloyse Salles  Atualizado agora
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Índice

Todo mundo em Soure conhece a fama de Diego. Dono de um charme que parece herança das terras marajoaras, o fazendeiro fez da boemia o seu estilo de vida e jurou que nenhuma mulher o prenderia em um cercado. Ele dita as regras do jogo. Ou, pelo menos, ditava. ​Tudo vira de cabeça para baixo com a chegada de Janaína, que está disposta a seguir seus próprios caminhos, sem tempo para os joguinhos do conquistador local. Pela primeira vez, Diego encontra alguém que não cede ao seu sorriso de canto de boca, e o feitiço vira contra o feiticeiro. ​Entre fofocas de vilarejo, banhos de rio e os olhares atentos dos búfalos de Soure, fica a pergunta: quem vai acabar laçando quem? Descubra nesta história leve e divertida sobre o que acontece quando o amor resolve passar a perna no maior libertino do Marajó. ​Pelo menos é o que dizem por aí...

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Capítulo 1

MONUMENTO DE SOURE

Soure, Ilha de Marajó 

(Seis anos antes...)

Janaína 

Os convidados de Jane, minha irmã e do meu cunhado Miguel começam a chegar na fazenda para testemunharem o maior e mais falado evento de Soure: a renovação de dez anos de casados, ou como pesquisei no G****e, as bodas de zinco.

É fim de tarde, um espetáculo à parte. E como não posso perder a oportunidade e tirar belas fotos da paisagem, aponto o meu celular capenga, mas com câmera boazinha e registro para a eternidade o cenário pitoresco, repleto de búfalos que pastam placidamente pelo campo.

Alguns minutos depois, sigo em direção ao local escolhido para as bodas. Ainda bem que é na fazenda do casal, porque posso sumir dali assim que terminar a cerimônia e escolher a foto para o concurso que pretendo me inscrever, categoria iniciante para a revista Rural.

Passando longe dos meus pais e sobrinhos, observo a decoração feita em frente ao casarão da fazenda.

Tudo adornado de flores naturais, vermelhas, rosas e brancas e fazendo um reconhecimento panorâmico pela área, em busca de duas "pessoinhas".

" Onde estão aqueles sumidos?"

Vou passando pelas mesas, cumprimentando com sorriso e menear de cabeça alguns convidados, até encontrar os dois no fundão, como se tivessem na escola, fingindo estudar.

Ali estão meu irmão caçula, Jackson e minha amiga Lene.

Acelero os passos e ao parar cruzo os braços ao notar o quanto estão distraídos... ou posso dizer atraídos? Conversam como se não tivesse tocando o sucesso da banda Calypso e nem o burburinho dos convidados se confraternizando a todo vapor ou o cheiro de churrasco atiçando sem dó. 

Bato o pé esquerdo com impaciência para deixar claro que estou bem ali na fuça deles.

Os dois ignoram totalmente o ar da minha graça. 

Interrompo os pombinhos, forçando uma tosse seca. 

— Ei, Lene, não vai atrás desse aí não!

Se ouvem, não conseguem parar a conversa sobre mangás, animes, doramas... Agh!!!

Suspiro indignada. Será que estou tão sem graça assim, no meu vestido midi bege de crepe de seda , que me tornei invisível?

— Que saco! — reviro meus olhos acinzentados em desaprovação. Jogo meu cabelo castanho para trás, sento perto de Lene e resolvo acalmar meus nervos num singelo " confisco" dos salgados e dos refris. 

Sem alternativa, volto a atenção para a festa, já procurando ângulos perfeitos com meu dispositivo.

Foto daqui, foto de lá. 

Caras e bocas para as selfies. 

Dou um tempo para não acabar a memória do celular. 

Volto a observar o lugar.

A decoração está linda, ok!

O casal anfitrião animado, ok!

Falando neles, como bons anfitriões recebem os convidados exalando a alegria de um casal belo e apaixonado.

Festa na fazenda é hilária. Um festival de chapéus e botas de couro e vestidos coloridos. Parece mais um arraial junino, sem nada empolgante.

Até que...

Chega uma família que não conheço. Pulo meus olhos do casal de idosos e travo no belo rapaz ao lado deles. Elegância selvagem! Bem apropriado a ele naquela camisa branca comprida, desabotoada até um certo ângulo em que posso ver tatuagens. Desço o olhar para o cinto de couro legítimo e a calça jeans que acentua cada músculo da coxa... Uau! 

Quando ele exibe um sorriso de canto de boca, sinto o coração acelerar e um fogo esquentar minhas bochechas. Que gato!

Os olhos caatanhos , o cabelo preto, meio arrepiado e aquele ar soberbo de quem sabe que todas babam por ele. É pura masculinidade e não consigo parar de olhar!

Um suspiro sai quando ele se vira e vejo os atributos das costas largas e bunda bem feita.

"Ai, meu santinho das mocinhas imaculadas! Não tenho idade pra tanta emoção. Tenho dezenove anos. Preciso focar no ENEM e nem moro aqui pra me apaixonar!"

Sem perda de tempo, cutuco a Lene, entretida na conversa "Inter galática"  agora sobre os cavaleiros de zodíaco .

A amiga se assusta com a interrupção e pergunta, meio ríspida:

— O que foi, mulher?

Para não me denunciar, aponto discretamente com o queixo, e começo como não quer nada:

— Aquela família... Nunca tinha visto por estas bandas...

Lene segue o meu olhar, observa a família em questão e responde sem muito interesse

— Ah... É o João e a Vera Magalhães... A fazenda deles fica mais perto de Salvaterra.  

Faço um cálculo mental. Não é tão longe daqui da fazenda Monteiro.

E antes de Lene voltar a atenção total para Jackson, emendo:

— E aquele ali é o filho deles?

Após essa pergunta, percebo a mancada. Jackson e Lene me observam desconfiados.

— Hum... Digo já pra mamãe que tu quer namorar! — meu irmão usa um tom ameaçador.

— Eu? Deus me livre! — disfarço. — Nem você, tá?

Provoco de propósito. Os dois se mexem desconfortáveis em suas cadeiras. Minha amiga observa o rapaz, que se junta a um grupo de fazendeiros para as costumeiras prosas sobre grana. Se recompõe e continua:

— Diego é o maior raparigueiro da Ilha de Marajó. Nem se engrace. — Lene avisa, cirúrgica. — Ele só gosta de quenga e de mulher safada.

Sinto um golpe invisível no peito.

— Credo, amiga, ele nem é tão bonito! Só perguntei porque nunca tinha visto. ( Que mentira!)

— Bom... Ele não faz o meu tipo e mesmo assim... É velho! Tem vinte e cinco anos!

— E essa idade é de velho? Lene, ele é só seis anos mais velho que a gente!

— Pra mim, sim! — Ela afirma, dando como encerrada a minha intromissão, voltando ao dengo com meu irmão.

"Papa-anjo duma figa, meu irmão tem dezessete!" Tive vontade de gritar no pé do ouvido dela. Mas o pensamento voa quando a minha "distração" passa caminhando bem na minha frente e se encosta num tronco de uma mangueira. Ele está vidrado no celular.

Um amigo dele se aproxima e após conversarem por um momento, vão se sentar num lugar mais distante, porém de onde estou, dá pra ver qualquer movimento dele.

Que monumento!

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