ELLA
Eu já tinha perdido a noção do tempo. No cativeiro, dia e noite pareciam a mesma coisa — o mesmo cheiro abafado, a mesma luz fraca entrando pelas frestas, o mesmo sentimento de que o mundo lá fora podia estar continuando sem mim.
Mas naquela manhã, algo mudou.
O barulho atrás da porta era diferente. Mais passos. Vozes que pareciam nervosas. Um deles abriu a porta com força, e eu me encolhi automaticamente.
— Levanta. Agora. — O homem de sempre, o mais bruto, ordenou.
— O que está acontece