Otávio
Desci do elevador sem esperar ninguém. Era um daqueles dias em que o ar parecia mais pesado do que deveria — ou talvez fosse minha própria cabeça. O trabalho se acumulava, as reuniões da semana pareciam todas inúteis, e até mesmo Isabela havia me cansado com seu discurso interminável sobre “posicionamento de marca”.
Foi então que a vi.
Lúcia estava parada na recepção. Sozinha. As mãos agarradas à alça da mochila com força demais, os olhos marejados, quase avermelhados. A expressão que el