Mundo de ficçãoIniciar sessãoA escuridão pareceu envolver tudo num instante. Dakota jazia no chão, desorientada, a visão turva, uma dor aguda e lancinante na cabeça. Ela não entendia completamente o que havia acontecido, mas quando tentou se mexer, a realidade a atingiu em cheio: tropeçou no tapete e, ao cair, sua cabeça bateu na quina da cômoda. Um fio de sangue quente escorreu lentamente por sua orelha, confirmando a gravidade do golpe.
"Que azar... será que vai acontecer mais alguma coisa hoje?", murmurou, com a voz trêmula. Com cuidado, conseguiu se levantar. Pegou uma toalha e pressionou-a contra o ferimento, observando com nojo a poça de sangue no chão. Limpou o melhor que pôde e, assim que tudo estava arrumado, começou a juntar suas coisas. Não podia mais ficar naquela casa. Se Alekos não a amava, não havia motivo para permanecer ali. Mas o que mais a preocupava era outra possibilidade: e se ele tentasse encontrá-la para obrigá-la a fazer um aborto? Com as mãos trêmulas, ela sentou-se à escrivaninha e escreveu-lhe uma carta. Alekos: Você tinha razão, eu menti para você. Pensei que você me pediria em casamento assim que eu contasse que estava grávida. Decidi não desperdiçar mais meu tempo nem minha juventude com você. Dakota Ela sabia que aquilo seria o suficiente para ferir o orgulho dele. Alekos Ravelli era um homem que não suportava ser ridicularizado, muito menos humilhado. Ele não a procuraria. E o filho deles estaria seguro. Ela juntou seu dinheiro, suas joias, a colcha que comprara em uma viagem turística, deixou o bilhete na cama e, sem olhar para trás, entrou no carro e saiu da cidade. Não tinha um destino específico; sabia apenas que precisava de distância. Não pararia até chegar a outra cidade. Enquanto isso, Alekos terminou seu copo de uísque. Ligou para o motorista para que preparasse o carro e, em seguida, ligou para o amigo Patrick, a quem convidou para jantar. Ele precisava esclarecer algumas dúvidas sobre a gravidez de Dakota. Patrick era uma das poucas pessoas em quem confiava plenamente. Conversar com ele o ajudaria a pensar com mais clareza. Embora uma parte dele se recusasse a acreditar que Dakota tivesse sido infiel, ele preferia a certeza absoluta. Queria saber o momento exato em que a paternidade poderia ser determinada. Alekos desceu de elevador até o térreo, com a decisão tomada. Diria a Dakota o que havia decidido: estava preparado para torná-la uma mulher decente, sua esposa, assim que o teste de DNA fosse concluído. Imaginou a expressão de surpresa no rosto dela ao ouvir aquelas palavras. Durante o jantar, Patrick o parabenizou pela futura paternidade. Embora só tivesse visto Dakota algumas vezes, assegurou-lhe que ela não parecia ser o tipo de mulher capaz de usar uma gravidez como chantagem. Mesmo assim, compreendeu as dúvidas do amigo e explicou que, uma vez confirmado o estágio e a idade gestacional, poderiam determinar quando realizar o teste de DNA. Depois do jantar, Alekos pediu que Patrick fosse deixado em sua casa primeiro e depois seguiu para o apartamento de Dakota. Ela nunca soube, mas o apartamento onde morava pertencia a ele. Dez meses antes, quando a conheceu, Dakota morava em uma casa compartilhada com outros estudantes. Alekos havia comprado o apartamento para ela, mas disse que pertencia a um amigo que precisava de uma inquilina. Dakota acreditou nele. Ao chegar, ele percebeu da rua que as luzes estavam apagadas. Pegou o elevador e destrancou a porta com sua própria chave. Tudo estava escuro. "Dakota, cheguei!" anunciou, esperando ouvir sua voz de algum dos quartos. Mas a resposta foi o silêncio. Ele entrou no quarto. A cama estava vazia. Algo no ar lhe deu uma sensação ruim. E então ele viu: o bilhete, sobre os lençóis. Ele o pegou com as mãos tensas. Enquanto lia, seu rosto endureceu. Ele não conseguia acreditar no que estava lendo. Ele cerrou os dentes e resmungou, furioso: "Maldita vadia!" Começou a vasculhar os móveis, furioso. Ela tinha levado tudo. Até a maldita planta da sala de jantar.






