03

Alekos Ravelli terminou a videoconferência que estava tendo com alguém na Rússia. Tinha sido um sucesso. Eram oito da noite e ele finalmente havia terminado o trabalho.

Passou a mão pelos cabelos e pensou em Dakota. Tinha conseguido não pensar nela por algumas horas, mas não tinha mais desculpas. Estava sozinho, em silêncio, e a imagem dela voltava com força renovada.

Nesse momento, Freya, sua secretária, entrou no escritório.

"Precisa de mais alguma coisa?"

"Não, pode ir", respondeu ele.

"Você parece cansado, Alekos. Deixe-me lhe trazer um uísque e lhe fazer uma massagem, se quiser. Você poderá relaxar."

"O uísque, sim. A massagem, não."

Ele olhou para ela, surpreso com a oferta. Devia estar com uma aparência terrível se Freya, sempre tão profissional, estava se oferecendo para fazer isso.

Freya era uma loira muito atraente e eficiente, na casa dos trinta. Alekos se considerava sortudo por tê-la como secretária. Ele nunca cometia erros. Ela não teria engravidado.

Dakota era muito mais jovem; vinte e dois anos. E ele tinha sido seu primeiro amante. Talvez a gravidez tivesse sido um verdadeiro acidente?

"Aqui está o uísque", disse Freya, colocando o copo sobre a mesa e a garrafa ao lado. Então, parou ao lado dele, pousando a mão em seu ombro.

"Tem certeza de que não quer uma massagem?"

"Sim, Freya. Pode ir. Eu vou ficar bem."

"Certo", respondeu ela, e se inclinou para sussurrar em seu ouvido: "Não se esqueça que vamos para Londres amanhã. Tente descansar um pouco."

"Ela só está preocupada comigo", pensou Alekos enquanto ela saía do escritório. Então, lembrou-se de como ele próprio se importara pouco com Dakota naquela manhã.

Pegou o copo e tomou um gole.

Quando ele se tornara um demônio tão cínico e frio?

Ele nunca pensara em casamento, mas sabia que um dia teria um filho. Um herdeiro para sua fortuna. Fora uma criança feliz, com uma família linda: pais que o amavam e dois irmãos que o adoravam.

Pelo menos, era assim até sua mãe morrer, quinze anos atrás, quando ele tinha apenas dezessete anos. Tivera vários desentendimentos com o pai, principalmente depois que este se casou com uma mulher muito mais jovem após a morte da mãe. Uma arrivista que passava o tempo flertando com ele sempre que ele vinha visitá-la.

Serviu-se de mais uma bebida. Não confiava em mulheres. Com exceção de sua mãe e irmãs, nunca confiara; para ele, mulheres eram companhia agradável. Nunca pensara em se casar. Mas também sabia que um filho seu não seria um bastardo.

Dakota… sua linda e sexy Dakota. Seria tão terrível casar-se com ela? Obviamente, ele não a amava.

Eles estavam juntos há um ano. Quando a conheceu naquela boate, ele a cortejou por um mês até que ela concordou em sair com ele. Ele teve que esperar mais dois meses para levá-la para a cama e, para sua surpresa, ela era virgem.

Eles se davam bem até aquela manhã, quando ela o informou que estava grávida.

Sexualmente, Dakota era sua amante favorita e, até onde ele sabia, ela nunca havia sido infiel. A ideia de que ela tivesse estado com outro o repugnava, pois ele era um homem muito possessivo. E Dakota era dele.

Ele já havia decidido: se tudo corresse bem, ele transformaria Dakota em uma mulher decente.

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