Quando o passado volta para cobrar em silêncio
AUGUSTO GALLO ARAGÃO
Eu deixei São Bernardo do Campo no fim da tarde, quando o sol já não queimava como antes, mas ainda feriria meus olhos se eu tivesse a ousadia de encará-lo direto. Entrei no carro sem pressa, como se a lentidão pudesse me dar algum controle, e fechei a porta com força demais. O som seco reverberou dentro do veículo e dentro de mim. Fiquei parado alguns segundos, as mãos firmes no volante, os dedos rígidos, o maxilar travado. R