A sede provisória da Fundação Clara Albuquerque ocupava um antigo galpão industrial na Barra Funda, que estava sendo reformado a toque de caixa. O lugar cheirava a tinta fresca, café forte e urgência.
Quando Ricardo entrou, seguindo Clara, ele se sentiu deslocado. Não pelo ambiente — ele estava acostumado a canteiros de obras —, mas pela energia. Ali, ninguém o chamava de "Senhor Albuquerque" com medo. Ali, ele era apenas "o marido da Clara".
Clara caminhava entre as mesas improvisadas, cumprim