Alaric
A angústia dela me atingiu como um golpe físico. O vínculo de companheiros pulsou com uma dor que não era minha. Quando percebi, já estava diante da porta dela, o cheiro de sal e tristeza impregnando o ar.
Ela abriu ao meu toque, e a cena me tirou o fôlego. O rosto parecia controlado, mas os olhos estavam vermelhos, inchados. Dobráva roupas com cuidado excessivo, colocando tudo dentro de uma bolsa pequena.
— Não. — A palavra saiu áspera demais.
— Meu Rei...
— Não. — Rosnei de novo. — Não use esse título. Não agora.
Ela virou o rosto, mas não antes de eu ver o brilho úmido de lágrimas recentes.
— Eu não vou sair sem me despedir direito. Devo isso a você.
— Você não me deve nada. — Dei um passo à frente, a fera esticando-se em direção à dor dela. — Mas eu mereço saber o motivo.
— Você sabe. — O riso que escapou não tinha humor algum. — A alcateia nunca vai me aceitar. E você... você não pode continuar me defendendo sem destruir a própria autoridade.
— Então você simplesmente vai