Agora somos só nós dois. Alaric se aproximou devagar, as mãos erguidas, como se eu fosse um animal ferido que ele tentava não assustar. O gesto era tão familiar que doeu — exatamente como naquele dia, no meu chalé, quando achei que ele fosse apenas um lobo ferido em busca de ajuda. Mas ele nunca foi só um lobo. E eu não sei o que sou para ele agora.
— Docinho— Ele sussurrou, e algo dentro do meu peito se partiu com aquela palavra tão suave.
Ele tentou agarrar as correntes, o poder irradiando dele como ondas. Mas eu precisava saber.
— Você realmente pretendia me mandar embora?
As mãos dele congelaram no ar. Na escuridão da masmorra, os olhos cinzentos dele pareciam brilhar, carregados de emoções que eu não sabia nomear. E eu esperei, com o coração preso na garganta, pra descobrir se eu estava errada sobre tudo. De novo.
As mãos pairaram sobre as correntes, a mandíbula dele travada.
— Mandar você embora? — As palavras saíram ásperas, quase feridas. — Docinho, eu quase enlouqueci tentando