Sage
A pedra fria atravessou o tecido fino do meu vestido, mas eu não consegui parar de tremer. As correntes que Eris fez questão de usar eram dolorosamente familiares — as mesmas que Cassius usou para me prender antes... antes de tudo...
Fechei os olhos com força, tentando bloquear as lembranças. Masmorras diferentes. Alcateias diferentes. A mesma lição: eu nunca seria mais do que algo a ser acorrentado.
Passos ecoaram nas pedras. O som ritmado de saltos caros, calmos. Repletos de confiança.
— Confortável? — A voz de Eris escorreu com uma falsa preocupação. — Peço desculpas pela acomodação, mas ladrões não podem escolher muito.
— Nós duas sabemos que eu não roubei nada. — Minha voz soou mais fraca do que eu queria.
Ela examinou as unhas perfeitamente feitas sob a luz fraca.
— Sabemos mesmo? As provas parecem bem claras. Um castiçal de prata do cofre real, encontrado com você. Sinceramente, o que seus pais pensariam? — O sorriso dela se curvou como uma lâmina. — Ah, é mesmo, você nem