Ao concluir meu depoimento na delegacia, já me encaminhava para a saída quando esbarrei na silhueta do tio de Arthur bloqueando a entrada. Pelo olhar devastado, era óbvio que já tinham lhe dado a notícia.
Um riso cortante lhe escapou ao me avistar, cada sílaba pingando veneno:
— Que palhaçada sem graça! Armou todo esse teatro, chegou a subornar agentes públicos para sustentar sua farsa?
Mantive os olhos fixos no chão de cimento gelado, respondendo em tom monocórdio:
— Acha mesmo que tenho infl