Meu mundo desmoronando

O mundo parou.

O ar ficou pesado.

Meu coração afundou de um jeito que eu nunca havia sentido antes.

Era como se, em um único instante, todos os nossos planos, todos os nossos sonhos e toda a felicidade que eu tinha acabado de encontrar escorressem por entre os meus dedos.

Eu não sabia o que dizer.

Não sabia o que sentir.

Só conseguia pensar em uma única pergunta:

E agora?

Ele respirou fundo mais uma vez. Os olhos estavam marejados, e pela primeira vez desde que o conheci, parecia completamente perdido.

— Eu sei que você já passou por algo parecido… — disse, quase em um sussurro. — Eu sei o quanto isso foi difícil para você.

As palavras dele atravessaram meu peito como uma flecha.

Era verdade.

Ele conhecia minhas cicatrizes. Conhecia a dor que eu carregava e o medo que eu tinha de reviver uma história que jurava ter abandonado.

Ele abaixou a cabeça por alguns segundos antes de continuar.

— Você tem todo o direito de terminar comigo.

O silêncio tomou conta do carro.

Olhei pela janela, tentando encontrar alguma resposta nas luzes da cidade que passavam depressa, mas tudo o que eu enxergava era o reflexo da minha própria confusão.

Meu coração dizia uma coisa.

Minha razão gritava outra.

A vontade era de abrir a porta, ir embora e nunca mais olhar para trás. Aquela era exatamente a situação que eu sempre prometi evitar.

Mas, ao mesmo tempo, bastava olhar para ele para perceber que aquela notícia o tinha atingido tanto quanto a mim.

Ele não tentava se justificar.

Não pedia que eu entendesse.

Não dizia que tudo ficaria bem.

Apenas aceitava, em silêncio, que talvez estivesse me perdendo.

Com a voz embargada, perguntei a única coisa que conseguia formular naquele momento:

— Você… tem certeza de que esse filho é seu?

Ele fechou os olhos por um instante, respirou fundo e respondeu com sinceridade:

— Eu não sei… mas existe essa possibilidade.

Naquele instante, senti como se o chão desaparecesse debaixo dos meus pés.

E, pela segunda vez desde que nos conhecemos, minha vida mudaria completamente.

Minha cabeça estava a mil.

As perguntas saíam antes mesmo que eu conseguisse organizá-las.

— Quando foi a última vez que você esteve com ela?

Ele respirou fundo.

— Antes de te conhecer.

Balancei a cabeça, ainda tentando entender.

— Você já estava ficando comigo quando isso aconteceu?

— Não.

Houve um breve silêncio.

Engoli em seco e fiz a pergunta que mais me atormentava.

— De quantos meses ela está?

Joseph passou a mão pelo rosto, claramente tentando juntar as peças.

— Eu não sei ao certo… Mas, se esse filho realmente for meu, ela deve estar com uns quatro meses.

Naquele instante, comecei a fazer as contas na minha cabeça.

Nós nos conhecemos em julho.

Segundo ele, a última vez que esteve com ela havia sido em junho.

Pela primeira vez desde que entrei naquele carro, consegui respirar um pouco melhor.

Ainda assim, a insegurança permanecia.

Algo dentro de mim dizia que eu precisava ter certeza.

Pedi que ele conversasse com ela e descobrisse exatamente de quanto tempo era a gestação.

Alguns dias depois, ele voltou com a resposta.

Ela havia feito novos exames.

Estava grávida de quatro meses.

As datas faziam sentido.

Meu coração desacelerou um pouco.

A notícia continuava difícil de aceitar, mas, pelo menos, eu sabia que ele havia sido sincero comigo desde o início.

Achei que, dali em diante, enfrentaríamos apenas o desafio de aprender a conviver com aquela nova realidade.

Eu estava completamente enganada.

Algum tempo depois ela o chamou para conversar dizendo que tinha algo muito importante para falar com ele sobre a gestação.

Não imaginei que aquela conversa traria uma nova tempestade para a nossa relação.

Quando ele voltou, seu semblante denunciava que algo estava errado.

Sentei-me ao lado dele e, antes mesmo que eu perguntasse qualquer coisa, ele disse:

— Ela me mostrou um exame…

Meu coração voltou a acelerar.

Ele respirou fundo antes de continuar.

— Os médicos disseram que a gravidez é de risco. E ela também foi diagnosticada com uma infecção sexualmente transmissível.

Senti o sangue gelar.

Minha mente foi invadida por dezenas de perguntas ao mesmo tempo.

Se ela estava com uma infecção… o que aquilo significava para nós?

Olhei para Joseph.

Pela expressão dele, percebi que aquela dúvida também já o consumia.

Naquele momento, o medo deixou de ser apenas sobre o futuro da nossa relação.

Pela primeira vez, também passou a ser sobre a nossa saúde.

Sem pensar duas vezes, Joseph decidiu fazer todos os exames necessários. Eu também precisava de respostas. Os dias que se seguiram foram intermináveis. Cada ligação fazia meu coração disparar. Cada notificação no celular parecia anunciar uma notícia capaz de mudar nossas vidas.

Nossa relação, que até pouco tempo parecia tão leve, agora carregava o peso da dúvida.

Eu me sentia perdida.

Triste.

Assustada.

Por mais que tentasse demonstrar força, havia noites em que eu chorava em silêncio, perguntando a mim mesma por que a vida parecia testar justamente o relacionamento que eu tanto queria viver.

Então, os resultados chegaram.

Respiramos aliviados.

Todos os exames estavam normais.

Nenhum de nós tinha qualquer infecção sexualmente transmissível.

Pela primeira vez em muitos dias, consegui sentir o ar entrar nos meus pulmões sem aquele aperto constante no peito.

Achei que, finalmente, aquela história começava a encontrar um pouco de paz.

Mas a tranquilidade durou pouco.

Em uma das conversas, Joseph me contou como havia sido o encontro com a ex para ver os exames.

Enquanto ela mostrava os documentos, ele começou a sentir que havia algo estranho.

Não sabia explicar exatamente o motivo.

Alguns papéis pareciam ter uma aparência incomum, como se tivessem sido impressos de forma diferente dos documentos médicos que ele conhecia. Além disso, ao observar a carteira de acompanhamento da gestação, notou uma informação que o deixou confuso: havia um registro que parecia indicar um aborto anterior — algo que, segundo ela própria, nunca havia acontecido.

Ele saiu daquele encontro com mais perguntas do que respostas.

Olhou para mim e disse:

— Não consigo explicar… mas alguma coisa nessa história não parece fazer sentido.

Naquele instante, percebi que talvez estivéssemos apenas no começo de uma verdade muito maior do que imaginávamos.

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