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A EX GRÁVIDA DO MEU NAMORADO
A EX GRÁVIDA DO MEU NAMORADO
Por: Maddy Folli
Capítulo 1 – O Primeiro Olhar

Dizem que alguns encontros mudam a vida sem fazer barulho. O nosso começou exatamente assim.

Tudo aconteceu em um dia comum, daqueles que a gente acredita que serão apenas mais uma lembrança qualquer. Eu estava na casa de um casal de amigos em comum, nos preparando para ir a uma festa. Havia conversas espalhadas pela sala, risadas e aquela ansiedade gostosa de quem está prestes a sair.

Foi então que eu o vi.

Não houve música tocando mais alto. O mundo não parou. Mas, por alguns segundos, foi como se todo o resto deixasse de existir.

Olhei para ele e senti algo que nunca consegui explicar. Não era paixão, porque paixão precisa de tempo. Não era amor, porque o amor ainda nem sabia que estava a caminho.

Era apenas uma sensação estranha, intensa e silenciosa… como se alguma parte de mim já o conhecesse.

Sem pensar muito, fui até o quarto da minha amiga. Fechei a porta atrás de mim e, quase sussurrando, disse:

— Acho que gostei dele.

Ela sorriu, talvez achando que era apenas mais uma daquelas paixões passageiras que surgem antes mesmo de uma festa começar.

Mas eu não fazia ideia de que aquela frase mudaria completamente a minha história.

Seguimos para a festa. Entre músicas, conversas e risadas, a noite foi acontecendo de forma leve. Aproveitamos cada momento como duas pessoas que ainda não imaginavam o que o destino estava preparando.

Até que, em um determinado momento, fomos juntos até o corredor que levava ao banheiro.

Foi ali que ele olhou para mim e perguntou, com uma delicadeza que ainda consigo lembrar:

— Posso te beijar?

Aquele beijo não foi apenas um beijo.

Foi o início de uma história que eu jamais imaginaria viver.

Quando a festa terminou, ele pediu meu número de telefone.

E eu disse não.

Pode parecer estranho, mas eu já conhecia a dor de criar expectativas nas pessoas erradas. Outros relacionamentos haviam deixado marcas que ainda não tinham cicatrizado completamente. Eu prometera a mim mesma que não abriria meu coração tão facilmente outra vez.

Se ele realmente quisesse fazer parte da minha vida, talvez o destino encontrasse um jeito.

Naquele momento, eu não sabia.

Mas aquele “não” seria apenas o primeiro desafio da nossa história.

Eu realmente acreditava que aquele “não” encerraria nossa história antes mesmo de ela começar.

Mas ele não desistiu.

De algum jeito, conseguiu meu número. Quando a primeira mensagem apareceu na tela do meu celular, sorri sem perceber. Respondi, mas fazia questão de demorar. Não queria demonstrar interesse. Na minha cabeça, manter distância era a melhor forma de proteger um coração que já havia sido partido outras vezes.

Só que ele era paciente.

As conversas foram ficando mais frequentes. Um “bom dia” se transformava em horas de mensagens. Quando percebi, ele já fazia parte da minha rotina.

Em uma dessas conversas, comentei sobre um show que eu sonhava em assistir. Ainda faltavam meses para acontecer.

No dia seguinte, ele me enviou uma mensagem.

— Já comprei nossos ingressos.

Fiquei olhando para a tela sem acreditar.

Aquilo me pareceu uma completa loucura. Como alguém podia ter tanta certeza de que ainda estaríamos juntos até o fim do ano?

Eu não tinha essa certeza.

Ele tinha.

Continuamos nos encontrando, quase sempre na casa dos nossos amigos. Havia uma atração impossível de esconder. Bastava um olhar para que o ambiente parecesse pequeno demais para nós dois.

Eu sabia o que ele queria.

E, justamente por isso, resolvi não facilitar.

Queria ter certeza de que aquilo era mais do que desejo. Precisava acreditar que existia algo além da química que nos puxava um para o outro.

Então, um dia, ele fez um convite diferente.

— Vamos sair, só nós dois?

Aceitei.

Fomos jantar. Conversamos durante horas, como se o tempo tivesse desacelerado só para nós. Entre risadas, histórias e olhares demorados, senti que minhas barreiras começavam a cair.

Quando fomos para a casa dele, encontrei um detalhe que me fez sorrir.

Ele havia comprado a minha bebida favorita.

Parecia um gesto simples, mas, para mim, significava que ele prestava atenção nas pequenas coisas.

A noite seguiu leve. A conversa ficou mais próxima, os sorrisos mais espontâneos e os silêncios passaram a dizer muito mais do que qualquer palavra.

Quando nossos lábios finalmente se encontraram, parecia que toda a espera fazia sentido.

Não havia mais pressa.

Havia entrega.

Naquele instante, percebi que não era apenas o desejo que me fazia permanecer ali. Era a forma como ele me olhava, como me fazia sentir desejada, segura e, ao mesmo tempo, completamente vulnerável.

Foi uma noite de amor intensa, ele beijava meu corpo todo e quando o senti entrar lentamente, um prazer além do comum tomou conta de mim, então um copo caiu no chão e se quebrou.

Nós rimos.

Talvez porque, naquela noite, a única coisa que realmente importava era que, sem perceber, eu já estava quebrando as promessas que havia feito a mim mesma de nunca mais me apaixonar.

Depois daquela noite, tudo parecia finalmente estar no lugar.

Os dias passaram, as conversas ficaram mais intensas, os encontros mais frequentes e, sem que eu percebesse, ele já fazia parte dos meus planos.

O pedido de namoro aconteceu de um jeito simples, mas carregado de significado.

Eu disse “sim”.

Pela primeira vez em muito tempo, senti que estava fazendo a escolha certa.

Poucos dias depois, chegou o momento de conhecer a mulher que havia criado o homem por quem eu estava me apaixonando.

Minha sogra.

Confesso que fui apreensiva. Queria causar uma boa impressão, mas também queria ser eu mesma. Quando a porta se abriu, encontrei uma mulher de sorriso acolhedor, olhar sereno e uma delicadeza que fazia qualquer pessoa se sentir em casa.

Conversamos por horas.

Ela me recebeu com carinho, ouviu minhas histórias, contou algumas das dela e, quando fui embora, tive a sensação de que havia conquistado não apenas a aprovação dela, mas também um lugar naquela família.

Tudo parecia perfeito.

Perfeito até demais.

Na manhã seguinte, meu celular vibrou.

Era uma mensagem do Joseph.

“Hoje eu vou te buscar no trabalho. A gente precisa conversar. É urgente.”

Meu coração apertou imediatamente.

Urgente.

Essa palavra ecoou na minha cabeça durante todo o expediente.

Tentei trabalhar, atender clientes, conversar normalmente, mas era impossível. Minha mente criava centenas de possibilidades.

Será que ele queria terminar?

Será que tinha acontecido alguma coisa com a família dele?

Será que eu tinha feito algo errado?

A ansiedade consumia cada minuto.

Quando finalmente saí do trabalho, ele já estava me esperando.

Entrei no carro.

O silêncio era ensurdecedor.

Joseph segurava o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Respirava fundo repetidas vezes, como alguém tentando encontrar coragem para dizer algo que mudaria tudo.

Olhei para ele.

— O que aconteceu?

Ele demorou alguns segundos para responder.

Parecia que cada palavra pesava toneladas.

Então, finalmente, falou.

— A minha ex me mandou uma mensagem…

Meu coração acelerou.

Ele continuou, com a voz trêmula:

— Ela fez um exame de beta-hCG…

Fez uma pausa.

Aquela pausa pareceu durar uma eternidade.

Então veio a frase que destruiu, em segundos, tudo o que eu acreditava estar construindo.

— Ela está grávida

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