A sala de tevê era aconchegante, com sofás antigos e confortáveis, do tipo que o assento se enquadrava direitinho nas bundas e ancas rechonchudas e de encostos macios. Sempre havia por cima deles uma manta de lã jogada e peças inacabadas de tricô e bordado. Nem todos os hóspedes gostavam de artesanato, alguns dormiam muito e outros adoravam dançar, beber cerveja e fumar escondido no banheiro feito adolescentes. Isso tudo quem fazia era Lolita Estevez, a sua preferida.
E era ela quem estava lendo um livro, sentada próxima à janela, com uma caneca de café preto na mesinha à sua frente.
Sophia apostava que tinha um licorzinho naquela bebida.
— Me diz uma coisa, menina. — Falou a velhinha assim que viu sua aproximação. Retirou os óculos de leitura e franziu o cenho: — Você não tem amor à vida, não?
Lolita era a típica moradora do Queens, de origem hispânica, gordinha e charmosa nos seus 72 anos. O cabelo curto estava sempre tingido de loiro dourado e a maquiagem era aplicada todas as manh