Lídia
Eu observava da fresta da porta do berçário, com o coração na boca e as mãos geladas. Vi o momento exato em que Lia vacilou, o copo caindo de suas mãos e os seguranças de minha mãe a carregando como se fosse um fardo incômodo.
Minha mãe, Clarice, limpou as mãos com um lenço, como se tivesse acabado de tirar o lixo.
— Pronto — ouvi-a sussurrar para si mesma. — Sem babá, sem testemunhas, sem problemas.
Naquele momento, algo dentro de mim quebrou. Não era apenas medo ou culpa; era o despert