A penumbra do bar clandestino na periferia de Valverde era o oposto do brilho dos salões que Soraya costumava frequentar. Ali, o cheiro de cigarro barato e uísque de segunda categoria dominava o ar. Soraya esperava em um reservado nos fundos, os dedos tamborilando impacientemente sobre a mesa de fórmica, até que a silhueta de Bento Forst surgiu na porta.
Bento era um homem de beleza perigosa e ambição desmedida. Antigo "amor de verão" de Soraya e filho de uma família que perdera tudo em apostas e má gestão, ele carregava um ressentimento profundo contra o clã Cezario.
— Soraya Sousa em um lugar como este? — Bento sorriu, revelando um dente levemente torto que lhe dava um ar ainda mais canastrão. — O que a princesinha de Valverde quer com um "deserdado" como eu?
— Quero o que você mais deseja, Bento: dinheiro e a chance de humilhar o Giorgio — Soraya foi direta, inclinando-se para a frente. — Eu preciso de um filho. E preciso que você suma da cidade logo depois. Em troca, você recebe o